quinta-feira, 1 de junho de 2017

UMA VALSA A MIL TEMPOS COM CARLOS DO CARMO

Para os mais novos e que não sabem quem foi, Carlos do Carmo nasceu em Lisboa, em 21 de dezembro de 1939. Era filho da fadista Lucília do Carmo e do livreiro Alfredo Almeida, proprietários da casa de fados “O Faia”, onde começou a cantar, até iniciar a carreira artística, em 1964. Distinguido com o Grammy Latino de Carreira, em 2014, entre muitos outros galardões, o seu percurso passou pelos principais palcos mundiais, do Olympia, em Paris, à Ópera de Frankfurt, na Alemanha, do “Canecão”, no Rio de Janeiro, ao Royal Albert Hall, em Londres. O cantor despediu-se dos palcos a 9 de novembro de 2019, com um concerto lotado no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. No mesmo dia, o primeiro-ministro António Costa condecorou o artista com a medalha de mérito cultural pelo “inestimável contributo” para a música portuguesa.

É impressionante o facto de uma figura da cultura portuguesa com a envergadura de Carlos do Carmo, ter honrado a pequenina escola D. Carlos I com a sua presença, mas de facto aconteceu pela mão das professoras Ana Nascimento e Maria José Sebastião no dia 1 de junho de 2017.

Após semanas de intensa azáfama que envolveram a preparação de uma exposição de ilustrações baseadas nas canções que o cantor imortalizou e se intitulou “O Fado em Nós”, professores, pais e alunos aguardavam, de telemóveis em punho e com visível expetativa, a chegada do aclamado artista. Foi ao som de “Lisboa, Menina e Moça” e de “Os Putos”, magistralmente ensaiadas pelo Professor de Educação Musical, Victor Santos, e belissimamente interpretada pelos alunos do 6.º B e do 6.º E, que Carlos do Carmo foi recebido ao chegar à galeria Almada Negreiras e mesmo antes de entrar na Biblioteca Escolar.

As Professoras Ana Nascimento e Maria José Sebastião, mentoras da iniciativa, começaram por agradecer a presença do ilustre convidado na E.B. D. Carlos I, recordando o dia em que o na altura recém-falecido escritor e jornalista Baptista-Bastos, estivera na nossa escola e descrevera a voz de Carlos do Carmo como “a voz humana em pleno voo”.

A atividade decorreu, como a valsa, a três tempos, com perguntas muito pensadas pelos jovens alunos do sexto ano e que traziam escritas em papel, respostas muito sentidas pelo convidado de honra e declamação na ponta da língua de poemas que vestiram os seus mais famosos fados, nomeadamente “Estrela da Tarde” e “Pedra Filosofal”.

Referindo-se à candidatura Portuguesa do fado a património cultural e imaterial da humanidade, Carlos do Carmo referiu que fora um esforço conjunto onde musicólogos e académicos trabalharam diretamente com fadistas. A si coube o papel de embaixador e porta-voz dessa candidatura que reconheceu o valor inestimável da canção urbana de Lisboa. Segundo Carlos do Carmo, fora uma tarefa muito interessante já que muitos dos que participaram nessa demanda desconheciam a história do fado. Mais, quando se iniciou o Museu do Fado só havia quatro livros e agora as exposições chegavam à Coreia do Sul, e os livros sobre o fado sucediam-se em catadupa, pelo que essa dinâmica justificara o empenho de todos os que para essa iniciativa contribuíram. Carlos do Carmo acrescentou que a maior parte dos países apresentava uma música eclética - Itália tinha o Bel Canto, Andaluzia tinha o Flamenco - mas apenas algumas cidades têm uma canção própria: Buenos Aires tem o tango, e Lisboa tem o fado. “Nós temos a beleza de ter uma canção própria. Mas ainda vamos no princípio da investigação”.

Quanto ao facto de o Grammy ter sido o momento alto da sua vida e carreira, esclareceu que a sua importância fora relativa. E de coração aberto explicou que estivera à morte há 17 anos. E assumiu-se crente. Aparentemente a vida concedera-lhe mais um bocadinho de tempo, tempo onde lhe foram acontecendo coisas muito bonitas. A sua vida, disse, não mudou com o Grammy, que no fundo não passara de uma consagração comercial. Continuava a gostar de aprender, continuava a gostar de viver. E rematou dizendo que o que se estava a passar ali, naquele momento, com crianças tão novas, a conhecer a poesia dos grandes autores como Ary dos Santos ou Alexandre O’Neal, e a interessarem-se pelo fado, tinha muito mais importância. A boca das crianças arredondou-se num largo ohhhh! Ter sido padrinho de uma iniciativa em Castelo Branco em que a guitarra portuguesa era uma cadeira, ou ter assistido a meninos Madeirenses a tocar no cordafone, isto é que eram os Grammies, acrescentou. Mas ganhar um prémio no estrangeiro era sempre bom, era fazer falar de Portugal, um país pobre e periférico.


Também considerou muito bonita a homenagem que lhe foi prestada pela Rádio Comercial, ao produzir um vídeo onde 35 cantores portugueses de diferentes gerações cantam “Lisboa Menina e Moça”, entre eles Paulo de Carvalho, Jorge Palma, Rui Reininho, Camané, Mariza, Ana Moura, Tiago Bettencourt ou David Fonseca, e recordou, divertido, o momento em que conseguira participar numa emissão radiofónica logo pela manhã. Confesso noctívago, gostava de entrar pelo silêncio da noite de Lisboa e de às cinco da manhã ouvir o chilreio dos passarinhos. Mas não pensassem os alunos que passava a madrugada a jiboiar, não, trabalhava muito mesmo, mas no momento em que as pessoas são mais dóceis.

Ainda sobre a rádio exprimiu o desejo de que nas suas direções perpassasse um sentimento que sobra aos espanhóis e que por cá escasseia e que é a autoestima. Há muita gente com qualidade que não passa nas rádios. Também teria gostado de viver num país onde os músicos tivessem trabalho e aqui a Rádio Comercial dera o exemplo.

Assumiu-se como um homem que gostava de sonhar. Sonhar dá grandes impulsos. Não sonhando fica-se com a ideia de que tudo era irrelevante. E por isso sonhava, continuava a sonhar com o dia em que o fado fosse ensinado nas escolas. Todo o Português tem de perceber de fado. O fado está à nossa porta. E depois explicou ainda que o fado é uma tradição oral. É para ouvir. Quando participou no The Voice passou por arrogante quando pediu que não se batessem palmas. Assim tinha aprendido, assim era a sua obrigação transmiti-lo!

À pergunta de como tinha sido a sua primeira vez no Olympia de Paris, recordou como fora importante e de como então as coisas eram diferentes. Quando se contratava um artista, havia um público fiel que ia àquela sala. Agora bastava alugar-se a sala.

Sobre Lisboa frisou que era sua cidade e gostava muito de ser de Lisboa. Cantava Lisboa porque a sentia! Nascera na Bica, aburguesara-se, disse a rir, e fora viver para as Avenidas Novas, mas o seu coração permanecera sempre nesses bairros. E depois discorreu sobre a luz de Lisboa, o facto de a cidade ter um rio, uma alma e uma canção. Lembrou-se nesse momento do poeta Ary dos Santos, outro grande apaixonado da cidade de Lisboa, com quem fizera um trabalho em liberdade: o primeiro disco onde Lisboa fora cantada livremente.



Após a declamação de “Estrela da Tarde” de Ary Dos Santos e Fernando Tordo, Carlos do Carmo contou como fora o Thilo Krassman, maestro e compositor alemão estabelecido em Portugal, que o ensinara a declamar essa canção. Enquanto o compositor fazia os arranjos, Carlos do Carmo subia a descia as escadas a cantá-la. Ia dando em maluco. Na verdade Carlos do Carmo tivera de aprender as canções todas para o Festival da Canção de 1976 onde fora o único intérprete.

Duas semanas após a vitória de Salvador Sobral que trouxera para Portugal pela primeira vez o troféu da Eurovisão para Portugal, após vencer o Festival RTP da Canção 2017 com a música Amar pelos Dois, Carlos do Carmo confessou que o jovem intérprete era do melhor que já tinha visto, tecendo-lhe rasgados elogios. Cantava muito bem. Pensava muito bem. Era muito interessante do ponto de vista artístico e humano. E como se podia constatar, a língua portuguesa não era nenhum obstáculo.

Não saberia identificar o seu melhor momento musical, o melhor momento é sempre aquele em que o público não nos deixa, e o seu fado preferido era sempre o próximo. Nem sempre quisera ser fadista. Era filho de uma grande fadista mas na adolescência até achava que aquilo era uma seca. O pai estava ligado aos livros e cedo aprendeu que ler é como respirar. Ler é uma grande companhia. Ler é aprender a ser livre. Frank Sinatra fora também uma das influências da sua vida que iria conservar até morrer. Sabia trinta canções de cor e ali não se perdia uma palavra, a maneira de fasear. Vê-lo ajudou-o a mexer as mãos, a estar em cima de um palco, a fazer do palco a sua sala de estar. De vez em quando dizia piadas. “Devo-lhe tanto!” Rematou.

A pergunta se já tinha cantado um fado escrito por si, Carlos do Carmo exclamou “Que horror!” “Eu sou um analfabeto, um infoexcluído, escrevo à mão coisas parecidas com poesia!” Mas tivera a sorte de ter os grandes poetas a escrever para si. E tudo poemas ralhados, discutidos verso a verso! Outras vezes contara com a ajuda da mulher, licenciada em Filosofia, e figura incontornável na sua vida, para o ajudar na escolha dos poemas. Por sua vez o filho, Gil do Carmo, de quem disse ter ficado orgulhoso por ter seguido a carreira de cantor, sabia compor e estudara no Berklee College of Music em Boston, embora não tivesse tido tanta sorte porque se deparara com uma sociedade muito mais competitiva.

À pergunta se mudaria algo na sua carreira, respondeu que não e que sempre arriscara. Não separava o fadista do cidadão. Já apanhara muita pancada por não querer agradar a tanta gente e logo não mudaria nada. 

À pergunta se se considerava uma referência, deixou claro que não, que não tinha a mania que era incontornável. Sentia-se reconhecido. Apenas isso. Mas também tinha inimigos. Fazia parte de se ter amigos. E sentia-se um homem com sorte, sobretudo quando a sua voz voltou. Tivera sempre sorte!

À pergunta “Considera a sua vida uma valsa a mil tempos”? Carlos do Carmo mostrou-se surpreendido. Nunca lhe haviam feito essa pergunta demolidora mas era capaz de ser mesmo assim, era provável que a sua vida tivesse sido assim… uma valsa a mil tempos. E depois de uma pausa e de mais um trago de água, agradeceu ao aluno por tê-lo ensinado a refletir sobre a sua vida dessa maneira.

A 1 de janeiro de 2021, vítima de um pós-operatório a um aneurisma da aorta abdominal, a valsa a mil tempos foi interrompida mas a sua voz perdurará para sempre e o rosto do fado será sempre o seu. Até sempre Carlos do Carmo!

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EXPOSIÇÃO "O FADO EM NÓS_VIAGEM PELO FADO COM CARLOS DO CARMO"

Os alunos do 6.º E e 6.º D organizaram uma exposição de ilustrações baseadas nas canções imortalizadas pelo grande Carlos do Carmo que estará patente ao longo do mês de Junho de 2017 na Galeria Almada Negreiros. A mesma intitulou-se “O Fado em Nós”








EXPOSIÇÃO "HAPPY CHILDREN'S DAY"

Sob a orientação da Professora Ana Isabel Oliveira, os alunos dos Cursos EFA do Estabelecimento Prisional de Sintra, decidiram homenagear o Dia da Criança na disciplina de Inglês, realizando para isso postais alusivos aos direitos inalienáveis da criança. Os mesmos foram depois oferecidos à Biblioteca Escolar no dia 1 de junho.

O Dia das Crianças é reconhecido em várias nações ao redor do mundo para homenagear as crianças, embora a data efetiva da sua comemoração varie de país para país.

Foi proclamado pela primeira vez durante a Conferência Mundial para o Bem-estar da Criança em Genebra em 1925, sendo celebrado desde então o Dia Internacional da Criança a 1 de junho - adotado em países como Angola, Portugal e Moçambique.

A ONU reconhece o dia 20 de novembro como o Dia Mundial da Criança, por ser a data em que foi aprovada a Declaração Universal dos Direitos da Criança em 1959 e a Convenção dos Direitos da Criança em 1989.

Os mesmos foram expostos na Biblioteca Escolar D. Carlos I onde ficarão expostos até ao final do mês de junho!

A Biblioteca Escolar D.Carlos I agradece esta gentil oferta por parte dos alunos dos Cursos EFA!









quarta-feira, 31 de maio de 2017

ESTÁGIOS NA BECRE 2017

Ao longo do ano letivo de 2016/2017, realizaram-se dois estágios na Biblioteca Escolar D. Carlos I.

Ao longo do segundo e terceiros períodos, o Miguel realizou com sucesso uma formação em contexto de trabalho que visou o despiste vocacional, a aquisição e o desenvolvimento de competências técnicas, relacionais e organizacionais para a inserção no mundo de trabalho e para a formação ao longo da vida. 

Por sua vez, o Pedro Rafael, aluno do Curso de Educação e Formação EAH, realizou no terceiro período duzentas horas de formação no âmbito do seu estágio profissional.

Aos dois alunos agradecemos a sua colaboração e desejamos as maiores felicidades pessoais e profissionais!







segunda-feira, 1 de maio de 2017

EXPOSIÇÃO: ECO-PONTOS:COMO UTILIZAR?

A exposição ECO-PONTOS:COMO UTILIZAR?envolveu três turmas de 7º ano, A; F e G no âmbito do estudos dos materiais em Físico-Química e esteve patente na galeria Almada Negreiros da EB D. Carlos I ao longo da segunda quinzena do mês de Maio.

Deixamos-vos ainda uma mensagem ecológica da Professora Ana Rolim que foi a mentora desta iniciativa que alertou para a importância da preservação ambiental:  

"Após vinte anos de reciclagem de resíduos em Portugal parou-se um pouco a divulgação, junto dos cidadãos, no sentido da separação do lixo doméstico. 

Os nossos alunos são os cidadãos do futuro e herdarão um planeta mais poluído do que aquele que nós recebemos, donde é essencial renovar o espírito do processo." 

Prof.ª Ana Rolim






sexta-feira, 21 de abril de 2017

EXPOSIÇÃO ARTE POÉTICA

Sob orientação da Professora Ana Nascimento, a atividade"Arte Poética" teve como objetivo dar a conhecer aos alunos do 6ºF vinte e oito poetas Portugueses, que foram sorteados pelos vinte e oito alunos da turma. Esta atividade desenvolveu a interdisciplinaridade entre Português e Educação Visual.

Nas aulas de Português, cada aluno trabalhou o poeta que lhe foi atribuído, investigou a sua biografia e apresentou-o aos colegas; posteriormente, cada aluno escolheu o poema que mais gostava do seu poeta, aprendeu-o de cor e declamou-o em aula.

Nas aulas de Educação Visual os alunos desenharam/pintaram aquilo que o poema por eles escolhido lhes fazia sentir, de forma a estimular a criatividade e o gosto pelo desenho e pela pintura.

Os trabalhos resultantes foram agora expostos na Galeria Almada Negreiros da EB D. Carlos I e aguardam a vossa visita até ao final do mês de maio.

Visitem-nos!








quinta-feira, 20 de abril de 2017

MIÚDOS A VOTOS_DIVULGAÇÃO DOS LIVROS VENCEDORES A NÍVEL NACIONAL

"Em cerimónia realizada no dia 20 de abril, data escolhida pela proximidade do Dia Mundial do Livro, foram divulgados os livros preferidos das crianças e jovens portugueses.

Foram apresentados dados estatísticos desta eleição, imagens e reportagens de todo o processo e estiveram presentes alunos e professores de muitas escolas de diversas regiões do país, que, replicando uma grande variedade de ações de campanha realizadas, demonstraram a dimensão e o impacto desta iniciativa.

Para além de muitos convidados e dos representantes de todos os parceiros (Pordata, Comissão Nacional de Eleições, Plano Nacional de Leitura e Rádio Miúdos), a cerimónia com a presença dos Senhores Ministro e Secretário de Estado da Educação. 

Para alegria de todos, estiveram também presentes os escritores Luísa Ducla Soares, António Torrado, Pedro Seromenho e David Machado.


Nas páginas do Facebook da RBE e da Visão Júnior estão disponíveis vídeos da cerimónia."



1.º CICLO

              

2.º CICLO

              

3.º CICLO

O principezinho

de A. de Saint-Éxupéry

Avozinha Gângster

de David Walliams

A culpa é das estrelas

de John Green

Porque é que os animais não conduzem

de Pedro Seromenho

Harry Potter e a Pedra Filosofal

de J. K. Rowling

O diário de Anne Frank

de Anne Frank

O tubarão na banheira

de David Machado

O principezinho

de A. de Saint-Éxupéry

O rapaz do pijama às riscas

de John Boyne













in http://www.rbe.min-edu.pt/np4/1918.html

terça-feira, 4 de abril de 2017

EXPOSIÇÃO CASTELOS DO MUNDO E AZULEJOS ÁRABES

Da responsabilidade das Professoras Luísa Jorge e Paula Fachadas, a exposição “Castelos do Mundo e Azulejos Árabes” foi realizada com trabalhos de alunos das turmas C, D, E, F, G e H do 5º ano, com o objetivo de consolidar conceitos referidos na disciplina de História e Geografia de Portigal, salientando a forte influência que os Romanos e os Muçulmanos deixaram na nossa cultura. 





sexta-feira, 31 de março de 2017

VENCEDORES DOS BIBLIOCONCURSOS DE MARÇO 2017

CONTA-NOS UMA HISTÓRIA _PARTICIPAÇÃO DA EB D. CARLOS I

No âmbito das comemorações da Semana da Leitura 2017, decidimos participar no concurso "Conta-nos uma história"

O concurso “Conta-nos uma história!” é uma iniciativa promovida pelo Ministério da Educação (ME), através da Direção-Geral da Educação (DGE), do Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) e do Plano Nacional de Leitura (PNL), em parceria com a Microsoft e a Associação Portuguesa de Professores de Inglês (APPI).

Esta iniciativa propõe fomentar a dinamização de projetos desenvolvidos pelas escolas, incentivando a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), nomeadamente tecnologias de gravação digital áudio e vídeo e a produção colaborativa de uma história original ou no reconto de histórias já existentes (por exemplo, contos, fábulas, parábolas, mitos ou lendas).

Deste modo, a turma do 3.º e 4.º A da EB1 D. Carlos I recontou a história de Os Apaixonados, álbum gráfico de Rébecca Dautremer, que já tinham trabalhado na Hora do Conto

Também, o reconto em forma de diálogo dramatizado, e na categoria de língua Portuguesa, fez recurso a meios digitais - áudio e vídeo - e decorreu de uma atividade colaborativa com as turmas do 1.º A e 1.º B da EB1 D. Carlos I que ilustraram a adaptação do livro. 

Sem dúvida que alcançámos os objetivos de promover a apropriação da tecnologia digital no desenvolvimento das literacia; desenvolver e aprofundar, nos alunos participantes a competência de leitura expressiva; e promover a utilização dos recursos educativos e a utilização da Biblioteca Escolar,

Também, ao divulgarmos o nosso trabalho estamos também a cumprir o objetivo de divulgar e partilhar com a Comunidade Educativa os recursos educativos desenvolvidos nas várias escolas.

No final do mês de maio saberemos quem foram os felizes vencedores. No entanto, e atendendo ao exposto, consideramos que este é já um projeto vencedor.

A BECRE D. Carlos I agradece ainda aos Professores destes alunos a possibilidade que nos deu de falar do Amor na escola... ou perguntar sobre ele!





"O que significa amar, quando se tem 4, 5, ou 6 anos? As múltiplas definições surgem em Apaixonados, um livro magnífico sobre as primeiras interrogações inquietantes dos mais pequenos. O Ernesto gosta de implicar com a Salomé, mas não sabe bem porquê... Assim se resume esta história, onde se vai dando voz às dúvidas das crianças, que vão exprimindo diferentes opiniões sobre o assunto.
Trata-se de um texto sobre a linguagem, a que as ilustrações dão vida. Representam crianças que parecem minúsculas ao lado de adultos alongados, como se quisessem mostrar que os pequenos ainda não têm a experiência necessária nesta matéria...
Mas cativante mesmo são as frases integradas nessas ilustrações, que dançam e volteiam em reviravoltas, seguindo o movimento das crianças num mundo desenhado à sua medida.
Há livros que valem pela história e livros que valem pela ilustração. Este vale pelas duas coisas. Até os adultos o manuseiam com ternura, com delicadeza. Porque ficam mesmo assim... Apaixonados."

VENCEDORAS DO CONCURSO DE ESCRITA CRIATIVA DA SEMANA DA LEITURA 2017

Divulgamos as vencedoras do Concurso de Escrita Criativa da Semana da Leitura 2017, que este ano apresentava como particularidade o facto de os concorrentes puderem participar de modo totalmente livre, escolhendo entre a prosa ou a poesia. 



Assim sendo, a grande vencedora do 1.º Ciclo foi a aluna Mónica Espírito Santo, do 3.º e 4.º A da EB1 D. Carlos I, que nos contemplou com um texto cheio de aventura e suspense e pelo qual está realmente de parabéns. 

Depois de lermos o laborório secreto da promissora escritora, ficamos já com vontade de ler o próximo episódio com acesso direto à porta para o passado...



         

O Laboratório Secreto

Num belo dia de Inverno, lá para Coimbra, nevava tanto que não se conseguia ver as belas pontas das montanhas do vale. Era um dia especial porque era véspera de Natal. E a família Costa estava toda junta num dos quartos do hotel de Coimbra. Naquele dia jantaram, e à meia-noite em ponto, todos abriram as suas prendas. A mãe da Raquel, da Laura e do Pedro começou por abrir as prendas.
– Esta é para a Rosinha! – disse a mãe para a sua sobrinha que tinha dois anos.
– Raquel esta é tua!
– Obrigada mãe, e o que será? – perguntou Raquel com curiosidade.
– Não sei, abre! – respondeu a mãe.
E assim, ora era prenda para a mãe, ora era prenda para o pai, ou era para os avós de Raquel, Laura, Pedro e Rosinha, ou era para a tia ou para o tio, ou para a Laura. E assim passaram uma hora e meia a abrir prenda daqui e dali.
Depois disso tudo, os irmãos foram para um quarto dormir porque já era muito tarde. Por volta das três da manhã do dia de natal, vinte e cinco de dezembro, Laura, a irmã mais nova, acordou de sobressalto, pois começou a ouvir passos de metal. Saiu da cama e foi acordar os irmãos.
– Raquel acorda, acorda, acorda!
– Vai-te deitar Laura! Ainda não são oito e meia da manhã!
– Não consigo, tenho medo!
– Tens medo do quê?
– Dos passos de metal.
– Que passos de metal?
– Ouve! – respondeu Laura tremendo.
Aí, Raquel também saiu da cama e ambas foram acordar o Pedro.
– Pedro acorda, acorda, acorda!
– O que é que foi?
– Ouve! – disseram as duas irmãs em coro.
– O que é isto? – perguntou Pedro também muito assustado.
– São passos de… metal. – respondeu a irmã do meio, a Raquel.
Pedro saltou da cama para baixo e foi em direção à porta, abrindo-a.
– Não consigo ver nada, dêem-me uma lanterna.
– Toma, aqui tens Pedro. – disse Raquel.
Pedro pegou na lanterna e começou a andar, mas claro que quem ia atrás do Pedro eram as suas irmãs. Pedro, com medo que acontecesse alguma coisa às irmãs e ele não visse, pegou num fósforo que tinha no bolso e começou a acender as velas que estavam penduradas junto das porta dos quartos. Quando já tinha acendido as duzentas e cinquenta velas do hotel, olhou para trás para ver se as suas irmãs estavam bem, e de repente viu uma coisa peluda e branca a passar. Pedro correu atrás daquela coisa peluda e branca, mas, Laura e Raquel deram a volta, e as duas chocaram contra Pedro e a coisa peluda e branca.
– Apanhei-a. – gritou Laura.
– Então agarra-a bem. – ordenou Pedro.
No meio desta conversa uma porta abriu-se. “Quem seria?” – interrogavam-se todos. Ora nem mais nem menos era do que a Senhora Constança.
– O que é isso que vocês trazem aqui? – perguntou a Senhora Constança.
– É um coelho fofinho! – disse Laura com uma voz de espanto.
– Ááááááááááááááááááááááááááááááááááááááááááhhhhh um COELHO felpudo! –gritou subindo para cima de uma cadeira a Senhora Constança.
– Não é um coelho felpudo, é um coelho fofinho! – disse Raquel com uma vontade enorme de se rir.
– É a mesma coisa, seja fofinho ou felpudo! – resmungou a Senhora Constança. – Tirem-mo já daqui, que eu quero ir dormir sem nenhum coelho felpudo!
– Não é felpudo, é fofinho… – disse Pedro rindo-se.
– Acabou aqui a conversa e todos a marcharem daqui pra fora. E já agora não se esqueçam de levar também esse coelho.
Assim, os três irmãos foram devolver o coelho fofinho à loja de animais de onde provavelmente teria fugido. EQuando regressavam ao hotel, viram quem lá estava: o guarda! E para passarem por ele sem serem vistos, tiveram que pôr-se de joelhos no chão e gatinhar até onde o guarda já não os visse. Quando chegaram ao primeiro andar continuaram a sua investigação dos passos de metal.
Os irmãos puseram-se todos em silêncio para ver se consiguiam ouvir os passos de metal, quando de repente se deram conta de que já não se ouviam passos de metal.
Ao que a Raquel comentou:
– Acho que isto está a ficar um pouco mais assustador do que eu pensava. Se calhar devíamos ir dizer aos pais?
– Acho que não vale a pena. Eles não vão conseguir compreender. Vão achar que nós estávamos a sonhar. – disse Pedro soltando um suspiro.
– Tive uma ideia! – disse Laura a sorrir – Venham cá todos. Então a minha ideia é a seguinte: irmos para o nosso quarto, deixarmos as velas acesas e fingirmos que estamos a dormir. Depois os passos de metal voltam e aí entramos em ação.
– Entramos em ação a fazer o quê? – perguntou Raquel um bocado desconfiada.
– Tive uma ideia também para essa situação, mas disso falaremos no quarto, ok? –disse Laura.
– Ok! – responderam os dois restantes irmãos.
E então lá foram para o quarto. Deitaram-se na cama e taparam-se com os lençóis.
– O plano é o seguinte: em primeiro lugar o ser que está a fazer este barulho deve estar neste andar, por isso a Raquel vai sair do quarto muito devagar e vai para a sala de controlo fechar as portas que dão acesso aos outros andares. Assim o ser já não consegue ir para os outros andares. Depois, o Pedro e eu saímos do quarto e vamos em busca do ser que está a fazer este barulho. Por fim, eu ou o Pedro apanhamos o ser. Concordam?
– Sim! – respondeu o Pedro.
– E tu, Raquel concordas? – perguntou Laura.
– Sim, até concordo!
E assim fizeram tudo como previsto. A Raquel saiu do quarto e foi para a sala de controlo fechar as portas automáticas. Logo depois o Pedro e a Laura apanharam o ser que fazia aqueles passos de metal.
– Traz….pum…. ca pum….
Só se ouvia as duas crianças e aquele ser misterioso a caírem por umas escadas abaixo. Assim que Raquel ouviu aquilo ficou preocupada com os irmãos e abriu as portas automáticas que iam dar aos outros andares, e a correr foi ter com eles. No meio desse barulho todo, Raquel ficou um bocado confusa porque não via os irmãos, quando também ela foi puxada pelas escadas abaixo.
Quando os três aterraram viram que estavam num laboratório cheio de poções. E também viram o homem fugitivo.
– Porque me seguem? – perguntou o homem que falava com sotaque.
– Calma, nós somos pacíficos. – disse Pedro para tentar que o homem se acalmasse.
– Está bem, vocês são pacíficos. Mas porque me seguiam?
– Porque acordei por volta das três da manhã. E acordei porque comecei a ouvir passos de metal. – Disse Laura escondendo-se atrás do irmão.
– Oh, então peço as minhas desculpas. Eu não vos queria acordar.
– Aceitamos as suas desculpas. Mas porque tem um laboratório secreto, e logo por baixo do primeiro andar do hotel?
– Porque o meu sonho sempre foi ser um inventor de poções, e uma noite quando fui beber água à cantina do hotel caí aqui, após o que decidi montar secretamente o meu próprio laboratório.
– Desta vez sou eu que vou ter uma ideia, mas para isso preciso que me diga se tem autorização para ocupar este espaço? – disse Raquel sorrindo.
– Não! Não tenho autorização para estar neste espaço. – respondeu o homem fugitivo.
– Ok, então os meus irmãos e eu estaremos aqui no laboratório às nove da manhã em ponto. Pode ser?
– Pode, mas para quê? – perguntou o homem.
– Para podermos ajudá-lo. E já agora como se chama?
– Desculpem não me ter apresentado. Eu sou o António Oliveira. E vocês como se chamam?
– Eu sou a Raquel.
– Eu sou a Laura.
– E eu sou o Pedro.
– Então fica combinado? – perguntou Raquel outra vez.
– Sim, amanhã vocês cá estarão às nove em ponto e eu também. Adeus a todos, e um resto de boa noite.
– Adeus. – disseram os três irmãos em coro.
Assim os irmãos foram para o quarto conversar sobre a ideia da Raquel.
– Raquel, qual é a tua ideia? – perguntou Pedro com curiosidade.
– A minha ideia é: em vez de nos levantarmos às oito e meia, levantamo-nos às oito, Vestimo-nos, comemos e vamos ter com o dono do hotel. Depois perguntamos-lhe se o António Oliveira pode continuar ali instalado. E depois logo vemos o que vai acontecer. Gostam da minha ideia?  
– Sim, eu pelo menos acho uma bela ideia. – disse Pedro.
– Eu também. – concordou a Laura.
– Então hoje acordamos às oito, certo? – perguntou Pedro mexendo no telefone para ir mudar o alarme.
– Certo. E agora toca todos a dormir para amanhã termos força para acabar esta missão.
– Certo chefe. – disse Laura brincando com a sua irmã.
– És mesmo tontinha.
Passadas cerca de duas horas, o alarme do telefone do Pedro tocou.
– Pedro, desliga o telefone.
– Sim, é isso que estou a fazer.
Quando Pedro desligou o telefone, todos se levantaram, vestiram-se e foram comer.
– Bem, já acabei de comer. Enquanto vocês acabam de comer eu vou avisar a mãe e o pai que vamos falar com o dono do hotel.
E lá foi.
– Mãe, Pai, os manos e eu vamos ter com o dono do hotel, está bem?
– Está bem, mas, já tomaram o pequeno-almoço?
– Sim Mãe.
– Então está bem. Podem ir. Mas voltem antes do almoço e tomem conta da vossa irmã mais nova, ouviste?
– Obrigada Mãe! E vamos ter todo o cuidado. – disse Raquel dando um beijinho à Mãe.
Raquel foi ter com os irmãos e todos juntos foram falar com o diretor.
– Truz, truz, truz….– bateram à porta.
– Pode entrar! – disse o diretor.
– O que vos traz aqui?- perguntou.
– Viemos falar em nome de um amigo nosso, o António Oliveira. – disse Raquel.
Assim passaram cerca de vinte minutos a contarem toda aquela história ao diretor.
– E o que nós queríamos perguntar-lhe era se o António podia ficar instalado naquele minilaboratório. Por favoooooor? – pediu Raquel.
– Sim, acho que sim, também já nem me lembrava daquele sítio. Só há três pequenas coisas que ele tem de cumprir. Primeiro: não pode fazer barulho a partir das oito da noite até às oito da manhã. Segundo: tem de me pagar todos os meses cem euros. E terceiro: quero que ele consiga fazer o que ele sempre quis e que faça daquilo um museu de poções.
– Muito, muito obrigada, senhor diretor! Vai ser uma grande surpresa para o António. – disseram em coro os três irmãos.
– De nada. Mas vocês acham que ele vai conseguir cumprir aquelas três coisas?
– Claro que sim. Não se esqueça que o laboratório sempre foi o sonho dele. – relembrou Pedro.
– Mana, temos de ir. Já são oito e cinquenta! – disse Laura olhando para o relógio.
– Pois é! Adeus diretor.
– Onde vão? – Perguntou o diretor.
– Vamos ter com o António e contar-lhe as novidades.
– Então esperem um bocadinho para eu escrever o que ele tem de cumprir, para ele não se esquecer. E também porque eu quero ir com vocês.
Passados cinco minutos o diretor disse:
– Pronto, já está. Podemos ir.
Lá foram os irmãos de elevador com o dono do hotel, ter com o António.
– Peng…– fez o elevador quando chegou ao primeiro andar.
– Estou um bocado confusa. O chão parece sempre ser igual. – disse um bocado irritada a Raquel.
– Calma, já vai ver que o chão não é todo igual. – disse o diretor.
Enquanto falavam e falavam e ao mesmo tempo andavam, a Laura disse:
– Aqui o chão tem quatro rachas, ou seja, faz um quadrado, por isso faz sentido que seja aqui. Certo? – perguntou Laura.
– Tens toda a razão. É aqui! – afirmou o António abrindo o tampão.
– Entrem.
– Olá António. – saudaram todos.
– Eu sou o diretor do hotel. E sei o que se passou esta noite.
– Por favor não me tire daqui.
– Calma amigo, eu deixo-o ficar aqui com estas três condições. – disse o diretor dando-lhe o papel que tinha as três condições.
– Aceito tudo, principalmente a terceira. Mas quando é que posso construir o museu?
– Agora este sítio é seu. Começa quando quiser. – disse o diretor.
– Muito, muito obrigado a todos. – agradeceu o António.
– Eu não fiz nada, foi tudo graças as estes três meninos. Realmente sem vocês nunca teria sido possível. – disse o diretor dirigindo-se às crianças.
– Obrigado! - disse António mais uma vez.
– Agora tenho de me ir embora. Tenho outros assuntos para resolver. – Disse o diretor.
Adeus a todos!
Após o diretor se ter ido embora, o António guardou os papéis e as suas poções em duas grandes caixas.
– O que estás a fazer António? – perguntou Raquel assustadíssima.
– Estou a guardar as minhas poções e os papéis que o diretor me deu!
– Porquê? – perguntou Pedro.
– Porque vou fazer obras para transformar este espaço num museu.
– Ah, está bem. Mas pregaste-me um grande susto!
– Desculpa! E obrigado mais uma vez.
Os três irmãos contaram toda a aventura à sua família e, assim, já tinham provas se eles não acreditassem. Mas o melhor de tudo, é que, passado um mês, o António andava a distribuir convites para irem ao museu que agora se chamava “Museu do Inventor”. E começou a chamar-se assim porque afinal o António descobriu que não gostava só de inventar poções mas também outras coisas, como a porta que ia dar ao passado...
     Fim
Mónica Nunes do Espírito Santo
 3º/4º A

Prof. Dulce Ferreira


Matilde Reis do 7.º B foi a grande vencedora do 3.º Ciclo e delicionou-nos com um fantástico poema sobre os seus sonhos. A escrever assim, desejamos que esta participante nunca deixe de pôr por escrito todos os sonhos que povoam a sua fértil imaginação. Parabéns Matilde!



Os Meus Sonhos


Tive um sonho, outro dia,
Acordei toda assustada
Não é que o cão do vizinho
Queria dar-me uma dentada?

Tive um sonho, outro dia,
Acordei com muito frio
Estava num vale gelado
A nadar dentro de um rio.

Tive um sonho, outro dia,
Acordei muito admirada
Como é que as bruxas eram boas
E eu é que era a malvada?

Tive um sonho, outro dia,
Acordei com uma tontura
Era a mais baixa do mundo
Com dez metros e tal de altura?

Tive um sonho, outro dia,
Acordei com um calor
Pois alguém que eu não digo
Deu-me um beijo com amor.

Tive um sonho, nestes dias,
Com muito que contar
O que é que eu tenho na cabeça?
Em que é que ando a pensar?

Matilde Reis
7.º B