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terça-feira, 29 de junho de 2021

CLUBES DE LEITURA NA ESCOLA - 7.ª SESSÃO

 Decorreu nos dias 1 e 2 de julho de 2021 a sétima e última sessão deste ano letivo dos CLE – Clubes de Leitura na Escola – nas turmas do 5.º B e do 6.º A. 



Sendo a última sessão, deste ano letivo, destes encontros à roda dos livros e dos autores, este ciclo teria que que ser encerrado com chave de ouro, pelo que o autor a ser trabalhado foi, nada mais, nada menos, do que Luís Sepúlveda. 

A obra escolhida foi História de um gato e de um rato que se tornaram amigos, uma fábula sobre o valor da amizade verdadeira, puramente irresistível pela simplicidade poética tão característica das obras do autor.  

Baseada num episódio da vida de um dos filhos de Luis Sepúlveda, a História de um gato e de um rato que se tornaram amigos, esta história tão pura e bela apresenta-nos Max e Mix. Poder-se-ia dizer que Max é o humano de Mix e que Mix é o gato de Max, mas como a história nos ensina, ninguém é dono de ninguém e simplesmente Max e Mix gostavam um do outro.
 

A história acompanha o crescimento de Max e o envelhecimento de Mix que acaba por ir cegando no apartamento de Munique. Com a perda gradual da sua visão e por consequência da sua amada liberdade de gato, Mix sente-se cada vez mais só. 

Felizmente nesta equação entre Max e Mix entra o hilariante Mex, um ratinho tagarela e muito esperto … esperto não, espertíssimo, ou melhor, o rato mais esperto do mundo, que para além de vir alegrar os dias de Mix lhe empresta os seus olhos. 

Graças a esta amizade improvável, Mix recupera a alegria que julgara perdida de se lançar sobre os telhados e de se inebriar de liberdade. 

A narrativa está pontuada aqui e ali por aforismos que destacados graficamente no texto resumem os momentos descritos assim como ilustram e reforçam o valor da amizade e a importância da cooperação. 


“Apercebi-me de que os livros escritos para as crianças não eram para pequenos leitores, mas para pequenos idiotas. Eram completamente manipuladores. Não gostei.” – Disse um dia Luis Sepúlveda. 

E desta constatação relativamente aos livros que os seus filhos tinham de ler para a escola, nasceram os livros para a infância do autor de histórias inesquecíveis como História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar. 

“É muito difícil. Trato com muito respeito os pequenos leitores. Sei que exigem uma linguagem directa, são inimigos da ambiguidade. Gostam que contemos histórias com frases curtas, gostam de contos de que se possam lembrar. (…) O que nós queremos dos leitores é que eles gostem do que escrevemos. Que gostem da história.” – Disse também Luis Sepúlveda. 

Se lerem atentamente a História de um gato e de um rato que se tornaram amigos facilmente poderão verificar como a obra enforma todos estes princípios e é de facto inesquecível. 

O trabalho do ilustrador Paulo Galindro é também inultrapassável e vem acrescentar beleza e ternura à obra. 

Comovente mas divertida, a história termina com a imagem de um gato de perfil grego e um rato mexicano sentados na ponta de um telhado unidos por uma profunda e tocante amizade. 

Frágeis na sua individualidade, mostram-se fortes na sua união e cooperação. 

A amizade improvável entre estes dois amigos torna-se inclusive motivo de conversa na vizinhança, que apesar de percebida com alguma estranheza, é simbolicamente lida como a materialização da felicidade. 


O balanço destes encontros foi muito positivo e em muito contribuiu para o enriquecimento cultural e a educação literária dos nossos pequenos leitores. 

Para o ano há mais! 

quarta-feira, 21 de abril de 2021

6.ª SESSÃO DOS CLUBES DE LEITURA HOMENAGEIA CLARICE LISPECTOR

Decorreram nos dias  21 de abril e 5 de maio de 2021, mais duas sessões dos CLE – Clubes de Leitura na Escola – nas turmas do 5.º B e do 6.º A.  


O sexto encontro dos Clubes de Leitura viajou até ao outro lado do oceano onde a Língua Portuguesa tem mais açúcar. 
Assim, foi com o inocente mistério presente em A Mulher que matou os peixes de Clarice Lispector que se iniciou mais uma aventura literária para os pequenos mas ávidos leitores. 

O título - A mulher que matou os peixes - é enganador e remete-nos para as habituais histórias de crime em que cabe ao leitor desempenhar o papel de detetive, formulando várias hipóteses de resolução do enredo e tentando identificar o criminoso.

A obra defrauda este intento logo na primeira linha, onde a narradora se identifica como a autora do crime horrendo de ter matado dois peixinhos vermelhos que viviam num aquário.

Apesar da admissão da sua culpa, a narradora deixa bem claro que o seu crime não fora intencional, mas que só no fim de contar algumas histórias poderá explicar como tudo aconteceu. 

O grosso da narração é assim um conjunto de histórias sobre animais e insetos e que constituem no fundo a sua defesa. 

Através da análise destas pequenas histórias, a narradora, que aqui se confunde com a autora, espera provar às crianças a quem se dirige diretamente, que é uma boa pessoa, amiga de animais e crianças. 

E foi precisamente para encontrar esse veredicto que se formou, neste sexto encontro, um TRIBUNAL com ré, juízes e testemunhas abonatórias e de acusação



Coube assim a cada aluno incarnar um dos animais visados nestas histórias, descrever as suas circunstâncias, discorrer sobre o caráter da ré Clarice e pronunciar-se sobre a sua inocência ou a sua culpabilidade. 

As Professoras Ana Nascimento e Dora Justino fizeram o papel da ré Clarice, dando início à sessão com a admissão da sua culpa mas apelando à absolvição pelo coletivo de juízes. 

Mais tarde, as testemunhas, agora transformadas em juízes, com uma pronúncia de três votos de culpada e onze de inocente, declararam a absolvição de Clarice

Vejam aqui os testemunhos dos animais ouvidos neste tribunal improvisado do 5.º B: 



1.ª TESTEMUNHA – O GATO

Fui um dos muitos gatos da minha dona, a Clarice. O meu nome é Chica e sou cor de laranja, com manchas de um cor de laranja mais escuro. 

A minha dona gostava tanto de mim que, quando me afastaram dela, por eu ter várias ninhadas, até ficou com febre! Os pais dela deram-lhe então um gato de pano, mas só depois de muito tempo ela ficou sem febre. 

Eu sei que Clarice é INOCENTE!

21 de abril de 2021
Martim Ferreira 
5ºB

2.ªs TESTEMUNHAS – AS BARATAS

Nós somos as baratas que vivem na casa da Clarice. Ela acha que somos velhas e feias e, como vingança, nós roemos as roupas dela.
Ela é má! Ela matou os nossos amigos e as nossas famílias! Nós, as baratas, somos uns bichos muito tristes, só as outras baratas gostam de nós.
Para nós a Clarice é CULPADA!
21 de abril de 2021
Samuel Borges
5ºB
 
3.ª TESTEMUNHA – A LAGARTIXA

Sou uma lagartixa. Sou engraçada e não faço mal a ninguém. Sou considerada um bicho natural, daqueles que não são comprados nem convidados.
Adoro comer moscas e mosquitos e sirvo para limpar a casa destes insetos! Eu não percebo por que motivo os humanos não gostam de comer moscas!
Mas há pessoas que gostam de matar os bichos da minha espécie com o chinelo. 
Eu não falo nem canto e não gosto dos humanos, mas não tenho medo da Clarice, por isso considero-a INOCENTE!

21 de abril de 2021
Gonçalo Fonseca
5ºB


  4.ª TESTEMUNHA – O COELHO

Eu fui um dos coelhinhos da Clarice. Os coelhos são bichos com muitos segredos. A Clarice até chegou a escrever um livro chamado “O Mistério do Coelho Pensante”!
Há pessoas que comem coelhos, mas a Clarice não os come porque pensa que está a comer um amigo. Eu acredito que ela gosta de animais, sobretudo de coelhos.
Eu acho que ela é INOCENTE!

21 de abril de 2021
Laura Romão
5ºB

5.ª TESTEMUNHA – O PATO

Eu sou um pato. O meu modo de andar é muito engraçado!
Fui comprado pela Clarice, e ando sempre atrás das pessoas porque tenho muitas saudades da minha mãe.
Eu tenho a certeza de que a Clarice é INOCENTE.

21 de abril de 2021
Pedro Talento
5ºB

 6.ª TESTEMUNHA – O PINTO

Eu fui um dos pintos da Clarice. Nós, os pintos, gostamos de correr atrás das pessoas porque pensamos que elas são as nossas mães.
Sabem que nos parecemos com os humanos? É que ficamos com muitas saudades das nossas mães. Longe delas podemos morrer! É verdade! Só os pintos que têm a alma mais forte é que ficam vivos!
Para mim, a Clarice é INOCENTE! Ela matou os peixinhos sem querer. Todas as pessoas já cometeram erros.

21 de abril de 2021
Ricardo Periquito
5ºB

7.ª TESTEMUNHA – O CÃO DILERMANDO

Olá! O meu nome é Dilermando. Sou um cachorro vira-lata e vivia em Itália. Tenho cara de brasileiro, apesar de ser italiano. Quando a Clarice me encontrou pensou que o meu nome só podia ser Dilermando.
Vi logo que a Clarice era boa pessoa porque ela tratou muito bem de mim. Os cães são guiados pelo amor do coração dos outros e deles mesmos ... mas detestam tomar banho.
Na  minha opinião, a Clarice está INOCENTE.

21 de abril de 2021
Diogo Santos
Gustavo Durão
5ºB

8.ª TESTEMUNHA – O MACACO

Olá! Eu sou o macaco que estava no terraço dos fundos da casa da Clarice. Sou um macaco grande e forte, agitado e nervoso, pareço um filhote de gorila!
Como a Clarice gosta muito de bichos, passei a morar com ela e com a sua família. Sabiam que os macacos são os bichos que mais se parecem com as pessoas? É verdade! E eu, de tão agitado que era, parecia um homem maluco! Fiz tanta bagunça naquela casa, que a Clarice resolveu dar-me às crianças do morro, que adoram micos.
Quando souberam que eu já não voltava, todo o mundo, naquela casa, ficou triste e zangado com Clarice!
Ela não tinha nada que me ter oferecido a outras pessoas! Eu também fiquei muito triste e zangado! Por isso, na minha opinião, a Clarice é CULPADA!
21 de abril de 2021
Afonso Romão
Prof. ªAna Nascimento
5ºB


9.ª TESTEMUNHA – A MACAQUINHA LISETE


Eu sou a macaquinha Lisete. A Clarice encontrou-me numa noite de Natal. Gostou muito de mim porque eu tinha uma saia e brincos. Levou-me para casa e, então, começou a reparar que eu dormia muito. Não se sabia porquê mas era porque eu estava a morrer. Clarice levou-me ao veterinário, onde me deram uma injeção e eu fiquei logo melhor e muito feliz!
Depois levaram-me para casa, mas eu acabei por morrer... Quando morri, a Clarice ficou mesmo muito triste e disse que nunca se iria esquecer de mim.
Por isso, eu considero a Clarice INOCENTE!

21 de abril de 2021
Madalena Costa
5ºB



10.ª TESTEMUNHA – O CÃO BRUNO BARBERINI DE MONTEVERDI

O meu nome é Bruno Barberini de Monteverdi. Eu não conhecia a Clarice, mas ela era amiga do meu dono,o Roberto. Eu amava muito o Roberto e o meu único amigo chamava-se Max. 
Um dia o Max foi almoçar a minha casa e Roberto entrou na cozinha. O Max resolveu fazer festinhas ao Roberto e eu pensei que ele lhe ia fazer mal; então ataquei-o, mas acabei por ter de ir para o hospital. 
Quando voltei, decidi atacar o Max de novo, mas lá fui parar ao hospital outra vez! Quando saí de lá, ataquei o Max de novo e, desta vez, matei-o! 
Alguns dias depois, fui para a rua e os cachorros da vizinhança decidiram vingar-se da morte de Max e mataram-me. 
A Clarice lembra-se bem desta história, porque é uma história de muito amor. Eu matei por amor ao meu dono! 
Eu acho que a Clarice gosta muito de animais e é INOCENTE!

21 de abril de 2021

Júlia Gomes

Marta Lopes

5ºB

11.ª TESTEMUNHA – A PERIQUITA AUSTRALIANA

Sou uma periquita australiana. Eu não conhecia bem a Clarice, mas ela era amiga da minha dona, que era pianista.

A minha dona não sabia que as fêmeas e os machos da minha espécie têm de estar juntos, porque gostam de dar muitos beijinhos, mas a minha dona, no seu aniversário, só recebeu a fêmea, ou seja, eu.

A Clarice foi sempre muito boa para mim e para os outros animais. Eu considero a Clarice INOCENTE!

21 de abril de 2021

Laura Pinto

5ºB

12.ª TESTEMUNHA – O CAVALO MARINHO


Eu sou um cavalo-marinho. As pessoas gostam de me ver nadar, porque o meu movimento as faz lembrar homens e mulheres a dançar devagar.

Vivo perto de uma ilha encantada. Aqui o ar cheira a capim, que parece cantar ao vento. Do mar consigo ver a cidade das borboletas, no meio de um bambual. As borboletas são pequenas, grandes, azuis, amarelas e de todas as cores e eu adoro ver o seu lindo bailado.

Aqui reina o silêncio, mas é um silêncio atravessado pelos sons dos seus habitantes vegetais e de animais que falam connosco. E querem saber o que dizem? Depende de estarmos tristes ou alegres, com fome de beleza e de conversa.

Nesta ilha moram as crianças um pouco tristes que antes nunca tinham tido a oportunidade de conversar com as plantas e os animais. Gostaria tanto de nadar com essas crianças e de levá-las a conhecer o fundo do mar. O fundo do mar é azul e de todas as outras cores, por causa dos ouriços coloridos, das estrelas do mar e das algas que, ao moverem-se, lhe dão um colorido ondulante.

Se eu fosse um menino, poderia ouvir o canto dos pássaros de todas as cores e tamanho, que sobrevoam a ilha. Poderia saborear o sabor de tantas frutas: jacas, cajus, cajás, graviolas, bananas, cocos, goiabas brancas e vermelhas e pitangas escarlate.

No fundo do mar há cardumes de peixes pequenos e grandes e muitos delfins iluminados pela fosforescência das plantas do mar. 

A Clarice toma muito bem conta das crianças um puco tristes e conta-lhes como é a vida no fundo do mar. Eu considero-a INOCENTE!

Outra coisa, se não sabem o que significa fosforescência, perguntem à vossa Professora!

21 de abril de 2021

Prof.ª Sandra Pratas


13.ª TESTEMUNHA – A CADELA BOLINHA

Olá, eu sou a cadela bolinha. Eu não conhecia muito bem a Clarice mas ela era amiga da minha dona. 

Eu sou uma cadela muito normal, mais normal do que muitas pessoas apesar de ser muito sensível e um bocadinho nervosa. 

Sou a mãe perfeita e gosto de apresentar os meus filhotes às pessoas empurrando-os com o focinho. 

Eu acho que a Clarice não foi uma boa mãe, não soube cuidar dos seus filhotes, e por isso eu considero-a CULPADA!

21 de abril de 2021
João Silva
5ºB

14.ªs TESTEMUNHAS – OS PEIXES VERMELHOS


Nós somos os Vermelhinhos, os peixes que a Clarice matou. Dizemos desde já que a Clarice é INOCENTE, porque ela não nos matou de propósito. Ela ficou muito triste com a nossa morte. A Clarice dava-nos sempre comida e mantinha o aquário com água limpa. 

Sim, perdoamos a Clarice! Ela tratou sempre bem de nós.

21 de abril de 2021

Francisco Silva

5ºB















quarta-feira, 24 de março de 2021

5.ª SESSÃO DOS CLUBES DE LEITURA NA ESCOLA COM MISSÃO IMPOSSÍVEL


Decorreram no dia 24 de março de 2021 duas sessões online relativas à quinta sessão dos CLE – Clubes de Leitura na Escola – nas turmas do 5.º B e do 6.º A

Desta vez a obra trabalhada, e porque os alunos dos Clubes se haviam preparado para o “Encontro Em Linha” com as escritoras Ana Maria Magalhães e Isabel Calçada que decorreu no dia 8 de março, foi o livro ‘Missão Impossível’.

A obra ‘Missão Impossível’ de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada e com ilustrações de Carlos Marques, foi editada pela Fundação Jorge Álvares com vista a ser distribuída pelas bibliotecas de todas as escolas do país, com vista a fomentar o contacto das camadas mais jovens com a história, a cultura e os costumes e tradições da China e nomeadamente Macau. De destacar o facto de para esta publicação a Casa-Museu ter autorizado a reprodução de fotografias de duas peças de porcelana da China do seu acervo.


A aventura, recheada de ação e mistério, começa numa biblioteca encantada em Freixo de Espada à Cinta e termina em Lisboa no Museu do Centro Científico e Cultural de Macau. De permeio há viagens no tempo conduzidas por carros de luz até à casa de Jorge Álvares em Patane, algures entre a Índia e a China, quando reinava em Portugal D. JOÃO III e na China o Imperador JIAJING, descendente da dinastia Ming. 


E é precisamente em Patane, por meados de 1552, durante um jantar com figuras ilustres de Portugal e da China, que Jorge Álvares, intrépido navegador e primeiro cronista do Japão, decide oferecer aos seus convidados garrafas de porcelana azuis e brancas encomendadas na cidade chinesa de JIANGXI


O objetivo desta missão, quase impossível, levada a cabo por Rodrigo, Matilde e Luís, é o de descobrir a garrafa que guardaria no interior durante séculos o misterioso “pó de fortuna” com um Ch’i lin pintado em tons de azul forte. Para desvendar o mistério e encontrar o tesouro, os três jovens necessitam de ultrapassar várias provas, do ar, da água e do fogo- e fazer recurso à sua capacidade de dedução e investigação. 

O mais extraordinário da obra é misturar eximiamente factos reais e personagens históricas –  Fernão Mendes Pinto, São Francisco Xavier e Diogo Pereira –  com elementos esotéricos como triângulos de força ou seres lendários como o Ch’i lin. O Ch’i lin é um animal mítico chinês parecido com um dragão com pernas finas, nariz e olhos redondos, e uma haste a sair da testa, quase o equivalente ao unicórnio da cultura ocidental. 

Um outro elemento de interesse é o facto de estas garrafas terem realmente existido e algumas até terem resistido ao tempo. Atualmente há nove destas garrafas espalhadas pelo mundo em museus e casas particulares. 

Em Portugal encontram-se quatro garrafas — uma pertence a uma coleção particular e outras três encontram-se em museus, onde podem ser admiradas pelos visitantes: no Museu do Caramulo, no Museu da Fundação Carmona e Costa e a que ostenta a figura mítica que é o Ch’i lin pertence à Fundação Jorge Álvares e pode ser admirada no Museu do Centro Científico e Cultural de Macau, que fica na Rua da Junqueira, em Lisboa. 

Como estratégia de exploração da obra e seguindo o exemplo das personagens principais da mesma, os membros do Clube de Leitura, incarnando o papel de perspicazes detetives, aceitaram desempenhar uma missão quase impossível: acertar em todos os desafios lançados por um puzzle interativo criado pela Professora Bibliotecária.

Se querem conhecer mais sobre a história de Portugal e as suas relações com o oriente, não deixem de ler mais uma maravilhosa aventura destas duas mestres da literatura infanto-juvenil. No fim, e depois de muito bem lida a obra, cliquem na imagem abaixo e vejam se conseguem vocês também solucionar todos os enigmas propostos. 

E já sabem, de acordo com as palavras sábias do Ch’i lin, “As descobertas exigem esforço por parte do descobridor”.




segunda-feira, 8 de março de 2021

ENCONTRO EM LINHA COM ANA MARIA MAGALHÃES E ISABEL ALÇADA

No âmbito das atividades desenvolvidas pelo projeto CLE Clubes de Leitura na Escola – os alunos do 5.º B e do 6.º A tiveram a oportunidade de participar na segunda sessão dos “ENCONTROS EM LINHA” que pretendem animar os Clubes de Leitura na Escola ao longo do ano letivo e que neste dia teve como convidadas as consagradas escritoras  Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada

As autoras possuem inúmeras obras recomendadas pelo PNL2027, sendo que no contexto dos CLE foi trabalhada a obra Missão Impossível

Assim, no dia 8 de março, numa sessão que se prolongou muito para além da hora do seu términus, graças ao elevado número de perguntas que os alunos tinham preparado para colocar às escritoras, foi possível constatar o prazer de ler e a natural curiosidade dos alunos relativamente ao processo de escrita das obras que os encantam. 


Mais uma vez os Clubes de Leitura na Escola D. Carlos I cumpriram o desígnio de se converterem num espaço dedicado à partilha e socialização da leitura, onde é possível a miúdos e graúdos questionarem-se, exporem livremente as suas reflexões sobre os textos e debaterem os seus gostos acerca dos livros lidos.

Neste "Dia da Mulher", tão bem representado por estes dois grandes ícones da literatura infanto-juvenil Portuguesa, ficou a promessa de uma nova sessão para continuar uma conversa que soube a pouco às várias centenas de alunos que nela participaram. 

Obrigada Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada pelo coletivo da vossa obra e sobretudo pelo carinho que sempre dirigem aos vossos jovens leitores. Até breve! 




Assistam aqui aos melhores momentos deste inesquecível encontro e a intervenção dos alunos da EB D. Carlos I!





quarta-feira, 3 de março de 2021

4.º SESSÃO DOS CLUBES DE LEITURA NA ESCOLA: "A NAMORADA JAPONESA DO MEU AVÔ"

Decorreram no dia 3 de março de 2021 através de Google Meet, duas sessões do quarto encontro dos Clubes de Leitura na Escola nas turmas do 5.º B e 6.º A.




A história lida foi A Namorada Japonesa do Meu Avô de José Fanha, que apela a miúdos e graúdos sem exceção.


O avô Jaime é divertido, toca muitíssimo bem violino, conta histórias desaparafusadas e nunca pára com as suas “pantominices”. A avó Emília é doce, gosta de crochet e de fazer geleia de mão de vaca. Os dois vivem felizes na companhia da filha, do genro e do neto, até ao dia em que uma “doença má” leva a princesa do avô Jaime para o céu.



Para impedir o avô de se afundar numa depressão, Zezinho ensina-o a usar o computador e apresenta-o ao mundo aditivo das redes sociais. Depois de um percurso de iniciação nestes novos mundos virtuais que o lançam num estado de verdadeira euforia, o avô Jaime descobre com pena que nunca receberá uma resposta do Papa ou do Presidente dos Estados Unidos da América aos seus emails ou que o mais recente convite de amizade que recebera não é mesmo da Hanna Montana. A perda da inocência virtual culmina com o fim de uma relação virtual com uma namorada Japonesa que lhe deixa o coração partido.

Com esta adição ao mundo virtual e a fuga à solidão da viuvez, os papéis de neto e avô invertem-se, sendo agora o neto a fazer os reparos que há algum tempo atrás o avô lhe fazia a ele. E é precisamente Zezinho que vai ajudar este “rapazinho um bocado velho” a crescer, mostrando-lhe que por muito interessante que seja o mundo online, apenas o céu, a praia, o mar, os jardins, as árvores, as namoradas e os amigos de carne e osso, com as suas alegrias e tristezas, as suas palavras amargas e doces, os seus poemas, nos podem ajudar a descobrir o prazer de viver.

A obra é mais uma confirmação de José Fanha como um dos grandes autores da literatura infanto-juvenil portuguesa e sem dúvida homenageia, tal como em 35 Quilos de Esperança de Anna Gavalda, a relação ímpar que se estabelece entre avós e netos.

A segunda parte deste encontro consistiu na realização de uma Oficina de Poesia Japonesa.

Em breve publicaremos os maravilhosos haikus produzidos pelos nossos jovens poetas! 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

3.ª SESSÃO DOS CLUBES DE LEITURA NA ESCOLA: "FORA DE SERVIÇO"

Decorreram no dia 20 de fevereiro de 2021 duas sessões do projeto CLE, Clubes de Leitura na Escola, nas turmas do 5.º B e do 6.º A.


A obra escolhida foi Fora de Serviço de António Mota. Ora este livrinho recomendado para o 5º ano de escolaridade, destinado a leitura autónoma e leitura com apoio do professor ou dos pais, aborda a história de uma mãe explorada, cansada e ignorada, tanto pelos filhos como pelo marido, que um dia decide dar o seu grito do Ipiranga e ensinar uma importante lição à família.

Contado através do ponto de vista de Rui, a personagem principal, a obra é um alerta para a condição feminina e a tão desejada igualdade de géneros. 

A primeira parte da atividade começou pela participação num divertido Kahoot que permitiu descobrir como todos os detalhes da obra estavam ainda muito presentes nas mentes dos nossos membros do clube de leitura. 




Após este momento que provocou alguma euforia, sobretudo pelo uso do telemóvel em contexto de sala de aula, foi tempo de os jovens leitores refletirem sobre a mensagem mais profunda veiculada pelo texto.

Depois de desmistificadas expressões como “ajudar a mulher em casa” ou “abandonar os filhos para ir trabalhar” e onde foi fácil verificar como as palavras são importantes na  representação das ideias e na perpetuação de estereótipos, os alunos encetaram um diálogo sobre a igualdade de géneros na sociedade atual, constatando o muito que há ainda a fazer para mudar estes contínuos atropelos aos direitos das mulheres aprisionadas numa infindável dupla jornada. 

Basta ver as campanhas que pretendem sensibilizar a sociedade para a necessidade da partilha do tempo de trabalho pago e do tempo dedicado ao cuidado ou tarefas domésticas, basta ver que há em Portugal uma Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego que luta diariamente para mostrar que a igualdade é fundamental no equilíbrio da sociedade. 

Estudos recentes comprovaram que entre cozinhar, passar a ferro e cuidar dos filhos, as mulheres portuguesas afetam todos os dias mais de 1h30m ao trabalho doméstico do que os homens. Isto, mesmo nos casais em que ambos trabalham fora de casa e partilham as despesas. 

A perceção destas desigualdades é mínima pelo facto de estas práticas estarem de tal forma enraizadas na sociedade. As mulheres abdicam muito mais do que os homens do tempo para si próprias e deixam de fazer coisas que também lhes dariam gratificação. 

Ao colocar-se “fora de serviço” Isabel está a lutar contra esta naturalização do que continua a ser socialmente esperado das mulheres e a chamar a atenção para as injustiças que rodeiam a condição feminina.


Para além de uma experiência de leitura prazerosa como são todas as que António Mota proporciona, o encontro permaneceu um exercício de cidadania ativa e um contributo para a formação integral dos alunos. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

2.ª SESSÃO DOS CLUBES DE LEITURA NA ESCOLA: "35 KILOS DE ESPERANÇA"

Decorreu no dia 11 de novembro de 2020 a segunda sessão do CLE - Clubes de Leitura na Escola- nas turmas do 5.º B e do 6.º A.


A obra escolhida para este encontro foi 35 Quilos de Esperança de Anna Gavalda. O livro oscila entre o registo humorístico e a comoção, e torna-se frequente ao lê-lo, sorrir com uma lágrima no canto do olho, marca de uma belíssima escrita e de um conhecimento profundo da alma humana por parte de Anna Gavalda que passa muito do seu tempo “a ver as pessoas viverem” . 


Que adolescente poderá resistir a um livro que começa com:

["Detesto a escola. 
É a coisa que mais odeio no mundo. 
E mais ainda ...
Ela dá cabo da minha vida. ]


O livro, pontuado por tiradas cómicas e desventuras hilariantes de um rapaz de doze anos inadaptado ao sistema escolar, atinge momentos de poesia pura como em: 

[No meu boletim de final do pré-escolar, Marie escreveu: 
"Este rapaz tem a cabeça em forma de coador, dedos de fada e um grande coração. Tem de se conseguir fazer alguma coisa dele."
Foi a primeira e a última vez em que um membro do ensino oficial me tratou com atenção.]

A autora de Enfim, Juntos; Queria Ter Alguém à Minha Espera Num Sítio Qualquer e Eu Amava-a, traz-nos agora a história de Grégoire, um rapazinho que pesa exatamente 35 Quilos de Esperança. 


Embora extremamente inteligente e criativo, Grégoire detesta a escola. Reprova, acumula faltas e expulsões e os pais têm dificuldade em encontrar um estabelecimento de ensino que o aceite. Acresce a todo este drama o casamento deteriorado dos pais de Grégoire que encontram neste insucesso uma desculpa para se agredirem mutuamente. 


Grégoire só é feliz quando faz trabalhos manuais com as suas mãos de fada, atividade onde é excepcionalmente bom. O que mais gosta na vida é de passar horas a fio a conversar e a fazer bricolage com o seu avô Léon com quem estabelece uma relação quase telepática. Mas chega o momento em que Grégoire é obrigado a crescer e a encontrar o seu caminho. 

A metodologia usada nesta sessão foi a de distribuir várias questões pelos membros do Clube para aprofundar o conhecimento da obra e fomentar um debate que passou pela inadequação do sistema de ensino em casos como o de Grégoire, a adolescência, os problemas no seio da família e acabou no amor aos nossos avós e no poder curativo do amor. 



Mais uma vez alunos e professores saíram do Clube de Leitura de coração cheio e enriquecidos por uma leitura que os marcará para sempre e, parafraseando Saramago, deveria ser de leitura obrigatória para todos os adultos. 




Anna Gavalda nasceu em 1970 em Boulogne-Billancourt. Fez o mestrado em Letras Modernas na Sorbonne. Vive na região parisiense. Tem dois filhos e escreve quando eles estão na escola. O resto do seu tempo passa-o a ver as pessoas viverem.

Para além de Enfim, Juntos é autora dos livros Queria Ter Alguém à Minha Espera Num Sítio Qualquer, Grande Prémio RTL ¿ LIRE 2000, Eu Amava-a e 35 Quilos de Esperança.

A sua obra encontra-se traduzida em vários idiomas.


quarta-feira, 21 de outubro de 2020

1.ª SESSÃO DO CLUBE DE LEITURA: "MOUSCHI, O GATO DE ANNE FRANK"

Decorreram nos dias 14 e 21 de outubro de 2020 as duas primeiras sessões do projeto Clube de Leitura nas Escolas (CLE) respetivamente nas turmas do 6.º A e 5.º B.  



A Biblioteca Escolar D. Carlos I aceitou o desafio lançado pelo PNL de criar um espaço dedicado à partilha e socialização da leitura de um mesmo livro, onde professores e alunos possam questionar-se, pôr em comum as suas reflexões sobre os textos e debater os seus gostos acerca dos livros lidos. 

Dinamizar Clubes de Leitura é sempre uma forma de promover a leitura e de motivar para a leitura, com relação quer com a leitura orientada em sala de aula, quer com a leitura autónoma e partilhada, sejam estes realizados de forma presencial ou à distância.

Como indica a ideia que subjaz ao projeto, a leitura não tem de ser obrigatoriamente uma atividade solitária. Através deste ponto de encontro e do debate das obras selecionadas, os alunos têm a possibilidade de melhorar as suas competências literácitas, partilhar experiências, desenvolver o sentido crítico, e sobretudo de se fazerem leitores! 


Considerando os gostos e interesses dos alunos do 5.º B e do 6.º A, a obra escolhida para as primeiras sessões foi Mouschi, O Gato de Anne Frank de José Jorge Letria. O livro conta a triste história de Anne Frank, do ponto de vista do seu gato Mouschi e apresenta magníficas ilustrações de Danuta Wojciechowska.



Para quem desconhece, Mouschi existiu mesmo e foi levado para o anexo por Peter van Pels, um jovem companheiro de cativeiro de Anne Frank. Através dos olhos amorosos de Mouschi é possível vislumbrar o que viveu este grupo de pessoas escondidas do terror Nazi e sobretudo conhecer a perspetiva do mundo e da tragédia vivida por Anne Frank.

Num exercício de intertextualidade os alunos foram convidados a comparar a leitura do livro de Letria com O Diário de Anne Frank em quadradinhos numa adaptação de Ari Folman e belíssimas ilustrações de David Polonski, tendo apontado diferenças e pontos comuns nas duas adaptações da história. 


A sessão, conduzida pela Professora Bibliotecária da EB D. Carlos I, partiu da explicação do conceito de diário para a análise das personagens e dos eventos, confluindo num debate apaixonado entre alunos e entre professores e alunos sobre o Nazismo, o antissemitismo que grassa nos tempos atuais, o espírito resiliente e estóico dos Judeus e a sua capacidade de renascer das cinzas com perdão e revigorado fulgor. Algumas crianças revelaram as suas origens Judaicas, outras falaram de trabalhos realizados sobre a perseguição aos Judeus, outros falaram de filmes que viram sobre o que se designou de “banalização do mal” e outras ainda exprimiram a sua incredulidade para com o maior holocausto vivido pelos seres humanos. 



O tempo foi curto para tanto que se disse e ficou por dizer. A sensação geral foi a de que é mesmo bom ler e depois partilhar leituras e opiniões. Acima de tudo homenageou-se o legado de Anne Frank e da sua crença inabalável nos seres humanos [“Apesar de tudo eu ainda creio na bondade humana!”] e demonstrou-se como a leitura e o conhecimento nos podem fornecer importantes ferramentas para uma cidadania mais justa e igualitária.