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sexta-feira, 24 de maio de 2024

6.º LIVRO DOS CLUBES DE LEITURA DO 6.º ANO

Decorreram nos dias 22 e 24 de maio de 2024 nas turmas do 6.º B e 6.º G, respetivamente, mais duas sessões deste ano letivo dos CLE – Clubes de Leitura na Escola – nas turmas do 6.º ano.  


Assim, e no âmbito das atividades dos Clubes de Leitura na Escola, as três turmas tiveram a oportunidade de assistir a um encantatório teatro de fantoches ao som de Rodrigo Leão, e que teve por base a fábula a preto-e-branco de Shel Silverstein: A Árvore Generosa.  

A obra é uma fábula sobre a amizade, a consciência ecológica e a passagem para a vida adulta. Os estreitos laços que aproximam o menino e a árvore transformam-se, pouco a pouco, em distância e silêncio. 
Ela sempre acolhe e oferta; ele tudo pede e retira. A árvore propõe uma relação de troca sincera e desinteressada - essa que o menino parece desaprender à medida que cresce e se torna adulto. 



A obra foi ainda ponto de partida para uma segunda sessão de Filosofia para Crianças com base na obra explorada, em que os mais novos questionaram e analisaram alguns dos conceitos veiculados na história, tais como “felicidade”, “altruísmo”, “amizade”, “preservação ambiental”.

Através de um diálogo socrático, os alunos puderam verbalizar o seu pensamento e estabelecer um confronto de ideias, desenvolvendo a sua capacidade de pensar em conjunto e, consequentemente, caminhar no sentido de se tornarem cidadãos autónomos, com sentido crítico e consciência moral, e sobretudo capazes de agir em conjunto em prol de um bem comum e de uma sociedade mais justa. 

Um dos momentos mais agradáveis foi quando alguns dos alunos estabeleceram um paralelismo literário entre a A Árvore Generosa de Shel Silverstein e o fabuloso conto “O Príncipe Feliz” de Oscar Wilde. 

Num exercício de associação, os alunos foram capazes de recordar o conceito de altruísmo e abnegação veiculados na obra de Wilde e identificar a similitude entre a árvore, que por amor se dá por inteiro a um menino, e o jovem príncipe, que também através de um amor supremo, até dos seus olhos se desfaz para ajudar os pobres da sua cidade.  

Sem dúvida que com esta sessão se cumpriu com um dos objetivos deste projeto de leitura, que é o de levar os alunos a participar em ações favorecedoras da formação cívica, do desenvolvimento do pensamento crítico e de uma sensibilização para as questões de ordem cultural e social.

quinta-feira, 23 de maio de 2024

5.º LIVRO DOS CLUBES DE LEITURA DO 5.º ANO

Decorreram nos dias 26 de abril – 5.º E – e 23 de maio – 5.º H – duas sessões relativas à exploração do 4.º livro dos Clubes de Leitura na Escola nas turmas do 5.º ano.

A história lida foi A Namorada Japonesa do Meu Avô de José Fanha, que apela a miúdos e graúdos sem exceção.

O avô Jaime é divertido, toca muitíssimo bem violino, conta histórias desaparafusadas e nunca pára com as suas “pantominices”. A avó Emília é doce, gosta de crochet e de fazer geleia de mão de vaca. Os dois vivem felizes na companhia da filha, do genro e do neto, até ao dia em que uma “doença má” leva a princesa do avô Jaime para o céu.

Para impedir o avô de se afundar numa depressão, Zezinho ensina-o a usar o computador e apresenta-o ao mundo aditivo das redes sociais. Depois de um percurso de iniciação nestes novos mundos virtuais que o lançam num estado de verdadeira euforia, o avô Jaime descobre com pena que nunca receberá uma resposta do Papa ou do Presidente dos Estados Unidos da América aos seus emails ou que o mais recente convite de amizade que recebera não é mesmo da Hanna Montana. A perda da inocência virtual culmina com o fim de uma relação virtual com uma namorada Japonesa que lhe deixa o coração partido.


Com esta adição ao mundo virtual e a fuga à solidão da viuvez, os papéis de neto e avô invertem-se, sendo agora o neto a fazer os reparos que há algum tempo atrás o avô lhe fazia a ele. E é precisamente Zezinho que vai ajudar este “rapazinho um bocado velho” a crescer, mostrando-lhe que por muito interessante que seja o mundo online, apenas o céu, a praia, o mar, os jardins, as árvores, as namoradas e os amigos de carne e osso, com as suas alegrias e tristezas, as suas palavras amargas e doces, os seus poemas, nos podem ajudar a descobrir o prazer de viver.

A obra é mais uma confirmação de José Fanha como um dos grandes autores da literatura infanto-juvenil portuguesa e sem dúvida homenageia, tal como em 35 Quilos de Esperança de Anna Gavalda, a relação ímpar que se estabelece entre avós e netos.

A segunda parte deste encontro consistiu na realização de um mini-workshop de poesia tradicional japonesa. 

Deixamos-vos com alguns dos seus belos haikus: 





HAIKUS 5.º H





Vejo o pássaro que pousa
Nesta árvore de encantar
Cheiro o perfume do amanhecer
                                        
                                    Leonor Barata n.º 10

As folhas caem
No pôr do sol
Quase caíram nas minhas mãos

                                    Carolina Tsikul, n.º 3


Extensa areia amarelada
Coberta pelo mar imenso
Sentimento de azul

                                Martim Rocha, n.º 14


Cada dia diferente
No Verão tudo acontece
A onda que vem e me enlouquece
                                    
                                    Maria Rodrigues n.º 11, 5.º H


A brisa fria copia as minhas ideias
Vão e voltam 
Cada vez mais frescas

                                    Ema Martins n.º 4, 5.º H


Com o sol a escaldar
E uma brisa quente no ar
Ficam as crianças a brincar

                                        Guilherme Nunes n.º 6, 5.º H


Bonita e brilhante
Bela flor de verão
Que vejo em vão

                                        Maria Clara Jacinto n.º 9, 5.º H


As horas passam depressa
Os dias e anos vão fugindo
Olho para mim e vejo o que cresci

                                Ana Moreira n.º1, 5.º H


Primeiro acalma-te
Depois fica assim
Para o resto da vida

                                    Mariana Fernandes n.º 13, 5.º H


As folhas caem para o céu
Neste mundo invertido
Estarei a sonhar?

                            Leonor Soares n.º 8




HAIKUS 5.º E


Olho para fora
Saio de casa ao encontro da luz
Sinto a manhã abrir na bruma

                                    Laura Avelar 5.º E


Não penso em nada para além da dança
Mas às vezes quando danço
Penso que dançar é divertido
 
                                        Constança Duarte 5.º E

Eu desenho lindas flores
E penso como a beleza da natureza
Não cabe num papel

                                        Constança Duarte 5.º E



O funk espera-me no mar
Faz-me rastejar na floresta
Vejam como danço com alegria

                                    Martim Almeida 5.º E



A brisa do vento que traz a chuva
Leva-me para a natureza mais profunda
E penso no meu Avô …

                                                Gabriel Simões Alves 5.º E


Com sol e muito calor 
Nado com as minhas amigas
A felicidade é húmida!
                                
                                            Letícia Martins 5.º E


De cabeça para o ar
Com os braços e as pernas esticadas
No palco estou a brilhar

                                    Madalena Santos 5.º E


Observo a luz do luar
Hipnotizada fico
Lua tão linda!

                                    Carolina Costa 5.º E



Está frio e chove lá fora 
A Natureza é enganadora
Que estação será?

                                    Diana Miguel 5.º E


Dia de chuva 
que me arrepia pele
e me deixa triste

                            André Bento 5.º E


No meio do caos e do barulho
Decido ser um bocadinho mais normal
Irei conseguir?

                                Arthur Medeiros 5.º E


Um dia de chuva
Fico muito deprimido
Todo o dia

                            Tomás Gama 5.º E


Escrevo um haiku bem simples
com toda as minhas emoções
e o  sentimento é de felicidade

                                    Beatriz Espadeiro 5.º E



Jogo com os meus amigos
Um jogo com energia
E o dia é de alegria 

                            Victor Nedodayev 5.º E



Dia de chuva e trovões 
Estou cheio de medo 
De uma noite arrepiante

                                Lourenço Caetano 5.º E


O leão com frio
Não quer que chova
ao ver a leoa aconchegada

                            Salvador Roque 5.º E

terça-feira, 30 de abril de 2024

4.º LIVRO DOS CLUBES DE LEITURA DO 5.º ANO_2023_24

Decorreram nos dias 16 de fevereiro  5.º E  e no dia 30 de abril  5.º H – de 2023, mais duas sessões dos CLE  Clubes de Leitura na Escola  nas turmas do 5.º ano.


A obra escolhida para estes encontros foi 35 Quilos de Esperança de Anna Gavalda. O livro oscila entre o registo humorístico e a comoção, e torna-se frequente ao lê-lo, sorrir com uma lágrima no canto do olho, marca de uma belíssima escrita e de um conhecimento profundo da alma humana por parte de Anna Gavalda que passa muito do seu tempo “a ver as pessoas viverem” . 

Que adolescente poderá resistir a um livro que começa com:

["Detesto a escola. 
É a coisa que mais odeio no mundo. 
E mais ainda ...
Ela dá cabo da minha vida. ]

O livro, pontuado por tiradas cómicas e desventuras hilariantes de um rapaz de doze anos inadaptado ao sistema escolar, atinge momentos de poesia pura como em: 

[No meu boletim de final do pré-escolar, Marie escreveu: 
"Este rapaz tem a cabeça em forma de coador, dedos de fada e um grande coração. Tem de se conseguir fazer alguma coisa dele."
Foi a primeira e a última vez em que um membro do ensino oficial me tratou com atenção.]

A autora de Enfim, Juntos; Queria Ter Alguém à Minha Espera Num Sítio Qualquer e Eu Amava-a, traz-nos agora a história de Grégoire, um rapazinho que pesa exatamente 35 quilos de esperança. 

Embora extremamente inteligente e criativo, Grégoire detesta a escola. Reprova, acumula faltas e expulsões e os pais têm dificuldade em encontrar um estabelecimento de ensino que o aceite. Acresce a todo este drama o casamento deteriorado dos pais de Grégoire que encontram neste insucesso uma desculpa para se agredirem mutuamente. 

Grégoire só é feliz quando faz trabalhos manuais com as suas mãos de fada, atividade onde é excepcionalmente bom. O que mais gosta na vida é de passar horas a fio a conversar e a fazer bricolage com o seu avô Léon com quem estabelece uma relação quase telepática. Mas chega o momento em que Grégoire é obrigado a crescer e a encontrar o seu caminho. 

A metodologia usada nesta sessão foi a de distribuir várias questões pelos membros do Clube para aprofundar o conhecimento da obra e fomentar um debate que passou pela inadequação do sistema de ensino em casos como o de Grégoire, a adolescência, os problemas no seio da família e acabou no amor aos nossos avós e no poder curativo do amor. 


Mais uma vez alunos e professores saíram do Clube de Leitura de coração cheio e enriquecidos por uma leitura que os marcará para sempre e, parafraseando Saramago, deveria ser de leitura obrigatória para todos os adultos. 






Anna Gavalda nasceu em 1970 em Boulogne-Billancourt. Fez o mestrado em Letras Modernas na Sorbonne. Vive na região parisiense. Tem dois filhos e escreve quando eles estão na escola. O resto do seu tempo passa-o a ver as pessoas viverem. 


Para além de Enfim, Juntos é autora dos livros Queria Ter Alguém à Minha Espera Num Sítio Qualquer

Grande Prémio RTL ¿ LIRE 2000, Eu Amava-a e 35 Quilos de Esperança

A sua obra encontra-se traduzida em vários idiomas.

segunda-feira, 15 de abril de 2024

4.º LIVRO DOS CLUBES DE LEITURA DO 5.º ANO

 Decorreu no dia 11 de abril a quarta sessão deste ano letivo dos CLE – Clubes de Leitura na Escola – na turma do 5.º H.  



A sessão terminou com um divertido jogo no Wordwall que permitiu a partilha de opiniões sobre a obra. 



A obra escolhida foi História de um gato e de um rato que se tornaram amigos de Luís Sepúlveda, uma fábula sobre o valor da amizade verdadeira, puramente irresistível pela simplicidade poética tão característica das obras do autor.  

Baseada num episódio da vida de um dos filhos de Luis Sepúlveda, a História de um gato e de um rato que se tornaram amigos, esta história tão pura e bela apresenta-nos Max e Mix. Poder-se-ia dizer que Max é o humano de Mix e que Mix é o gato de Max, mas como a história nos ensina, ninguém é dono de ninguém e simplesmente Max e Mix gostavam um do outro.
 
A história acompanha o crescimento de Max e o envelhecimento de Mix que acaba por ir cegando no apartamento de Munique. Com a perda gradual da sua visão e por consequência da sua amada liberdade de gato, Mix sente-se cada vez mais só. 

Felizmente nesta equação entre Max e Mix entra o hilariante Mex, um ratinho tagarela e muito esperto … esperto não, espertíssimo, ou melhor, o rato mais esperto do mundo, que para além de vir alegrar os dias de Mix lhe empresta os seus olhos. 

Graças a esta amizade improvável, Mix recupera a alegria que julgara perdida de se lançar sobre os telhados e de se inebriar de liberdade. 

A narrativa está pontuada aqui e ali por aforismos que destacados graficamente no texto resumem os momentos descritos assim como ilustram e reforçam o valor da amizade e a importância da cooperação. 

“Apercebi-me de que os livros escritos para as crianças não eram para pequenos leitores, mas para pequenos idiotas. Eram completamente manipuladores. Não gostei.” – Disse um dia Luis Sepúlveda. 

E desta constatação relativamente aos livros que os seus filhos tinham de ler para a escola, nasceram os livros para a infância do autor de histórias inesquecíveis como História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar. 

“É muito difícil. Trato com muito respeito os pequenos leitores. Sei que exigem uma linguagem directa, são inimigos da ambiguidade. Gostam que contemos histórias com frases curtas, gostam de contos de que se possam lembrar. (…) O que nós queremos dos leitores é que eles gostem do que escrevemos. Que gostem da história.” – Disse também Luis Sepúlveda. 

Se lerem atentamente a História de um gato e de um rato que se tornaram amigos facilmente poderão verificar como a obra enforma todos estes princípios e é de facto inesquecível. 

O trabalho do ilustrador Paulo Galindro é também inultrapassável e vem acrescentar beleza e ternura à obra. 

Comovente mas divertida, a história termina com a imagem de um gato de perfil grego e um rato mexicano sentados na ponta de um telhado unidos por uma profunda e tocante amizade. 

Frágeis na sua individualidade, mostram-se fortes na sua união e cooperação. 

A amizade improvável entre estes dois amigos torna-se inclusive motivo de conversa na vizinhança, que apesar de percebida com alguma estranheza, é simbolicamente lida como a materialização da felicidade. 


O balanço destes encontros tem sido até aqui muito positivo e certamente em muito tem contribuído para o enriquecimento cultural e a educação literária dos nossos pequenos leitores. 

sexta-feira, 12 de abril de 2024

5.º LIVRO DOS CLUBES DE LEITURA DO 6.º ANO_2023_24

Decorreram mais duas sessões dos Clubes de Leitura na Escola para as turmas do 6.º B e 6.º G nos dias 10 e 12 de abril de 2023, respetivamente. 

Com o intuito de levar os alunos a experienciar um espetro vasto de emoções, e muito para lá da habitual história com happy ending, a obra escolhida foi O Aniversário da Infanta, uma das obras-primas de Oscar Wilde, reconhecida pelo seu simbolismo poético e pela análise profunda da natureza humana. 

O conto de Wilde é fortemente influenciado por movimentos artísticos como o Simbolismo e o Esteticismo, com muitas descrições detalhadas e uso de linguagem poética. 

Este conto curto explora temas complexos como a beleza, a morte e a dor, numa narrativa repleta de imagens vívidas e linguagem deslumbrante. 

A história passa-se em Espanha em meados do século XVI e gira em torno da Princesa Real e Infanta de Espanha, que vê o seu aniversário celebrado com uma grandiosa festa na corte. 

Neste dia a infanta conhece um anão grotesco que vem participar na festa com uma performance circense e acaba por se apaixonar por ela quando esta lhe atira uma rosa, para poucas horas depois descobrir um destino trágico. 

A obra explora o tema da maldade de forma profunda e poderosa, retratando a crueldade e a indiferença da alta sociedade para com os mais vulneráveis. A Infanta de Espanha, tão bela quanto má, demonstra um completo desprezo pela deformidade física do anão, tratando-o com desdém e indiferença. Mesmo diante do sofrimento do pequeno anão, a Infanta é incapaz de compreender a sua dor e a sua busca de aceitação e afeto. A crueldade da bela Infanta nada mais é do que o reflexo da intolerância e a falta de empatia de uma elite aristocrática guiada por uma rígida estrutura social. 


A busca por aceitação e afeto do anão é pois inexoravelmente frustrada, culminando na sua morte trágica e permanecendo como mais um reflexo sombrio da crueldade intrínseca de uma corte conhecida pelo seu gosto do bizarro. 

Os golpes aplicados por Wilde a esta sociedade são cortantes e deixam a nu uma nobreza vazia e superficial, incapaz de genuína compaixão. 

O Inquisidor-Mor lacrimeja ao ver um espetáculo de títeres, perguntando-se como podem tão inocentes criaturinhas sofrer tamanhas provações, enquanto manobra o longo e impiedoso braço da Inquisição Espanhola e dos seus sanguinários autos-de-fé. 

Mesmo a Infanta, quando se emociona com o espetáculo, está apenas a replicar os comportamentos hipócritas dos adultos que a rodeiam, os mesmos que se asseguram em extirpar da sua alma qualquer resquício de humanidade. 

A falta de empatia da corte é um reflexo da própria sociedade espanhola, que valoriza as aparências em detrimento da humanidade, que se concentra apenas nos seus próprios interesses e prazeres, e pior do que tudo, que transmite às novas gerações a maldade e a indiferença como valor educativo. 

A sociedade aqui retratada, podre e espiritualmente doente, jamais poderia ter lugar para o anão que, com a sua aparência física disforme, se torna inferior e indigno de a ela pertencer. É esta condição que o leva à exclusão social e o condena a viver à margem da corte e da própria vida. 

Apesar da sua fealdade, esta pequena criança permanece contudo como a representação da pureza e da inocência, em contraste com a crueldade vigente. Mas sendo esta pureza tão vulnerável, não consegue triunfar sobre a maldade que impregna a corte.

Também a mãe da Infanta, frágil flor trazida de França, se estiola rapidamente sob o sol inclemente de Espanha e a visão aterradora das chamas da Santa Inquisição. 

Tanto a falecida mãe da Infanta quanto o pequenino anão, estigmas da diferença, não encontram lugar numa sociedade onde o bem, quando ameaça despontar, é imediatamente cerceado. É o triunfo do mal sobre a fragilidade do bem!

No entanto, ao retratar de maneira complexa o anãozinho, com profundidade psicológica e emocional, Wilde torna-o no que de mais belo esta obra contém. Para quem lê e se emociona com o seu triste e solitário fim, a apologia é a do bem e da bondade. 

A maestria literária de Wilde, aliada à abordagem profunda do tema da maldade, garantiu à obra o seu lugar de destaque na literatura. A obra permanece pois relevante como uma crítica contundente aos valores sociais, ao condenar a indiferença, a hipocrisia e a falta de empatia da aristocracia. 

Ao denunciar a indiferença da nobreza e da realeza diante do sofrimento e da miséria das classes populares e ao expor o contraste entre a opulência e o luxo da vida da nobreza com a miséria e a privação das classes populares, ressaltando uma gritante desigualdade social, Wilde advoga a necessidade de uma sociedade mais compassiva e inclusiva, e nesse sentido a obra reveste-se de grande atualidade e pertinência. 

Tal como em muitas das suas obras, Wilde utiliza a literatura como ferramenta de crítica social e destaca a importância de reconhecer a humanidade e o valor de todos os indivíduos, independentemente de sua classe social.

Para além das temáticas da obra, a prosa de Wilde é considerada uma das mais belas da literatura inglesa, com uma riqueza de detalhes e uma linguagem rebuscada que obrigou os alunos a irem muitas vezes ao dicionário. 

É exímia a sua habilidade de criar imagens poéticas e explorar a psicologia dos personagens, elevando a narrativa a um nível artístico quase supremo.

Desde sua publicação, O Aniversário da Infanta tem recebido elogios da crítica literária pela sua complexidade temática e estética. Muitos estudiosos consideram o conto uma das melhores realizações de Wilde, destacando a sua maestria na construção de uma narrativa trágica e emocionante.

O retrato que faz da condição humana, da beleza e da crueldade, é tão relevante hoje quanto quando foi escrito, e por isso o conto permanece como mais uma das obras-primas que solidificaram o lugar de Oscar Wilde como um dos maiores escritores do fim do século XIX. 

A verdade é que a obra de Wilde continua a inspirar e a influenciar gerações de leitores e artistas, e sem dúvida deixou uma forte impressão em todos os elementos do Clube de Leitura que a leram e refletiram sobre ela.

sábado, 16 de março de 2024

4.º LIVRO DOS CLUBES DE LEITURA NA ESCOLA DO 6.º ANO

Nos dias 28 de fevereiro e 15 de março, decorreram na Biblioteca Escolar D. Carlos I, mais duas sessões dos Clubes de Leitura relativamente à 4.ª obra trabalhada no presente ano letivo. 

Assim sendo e num primeiro momento, os alunos ouviram a leitura dramatizada do primeiro capítulo de O Rapaz de Bronze de Sophia de Mello Breyner Andresen, ao que se seguiu um jogo de identificação de todas as plantas, árvores e flores descritas no capítulo "As Flores".


A segunda parte do encontro centrou-se na resposta a um Guião de Leitura sobre esta obra extraordinária onde as pessoas se comportam como flores e as flores como pessoas. 

6.º G - 15 DE MARÇO DE 2024



sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

3.º LIVRO DOS CLUBES DE LEITURA DO 5.º ANO_2023_24

Decorreram nos dias 16 de fevereiro  5.º E  e 15 de março 5.º H , mais duas sessões dos CLE  Clubes de Leitura na Escola  nas turmas do 5.º ano.


A obra escolhida para este encontro foi 35 Quilos de Esperança de Anna Gavalda. O livro oscila entre o registo humorístico e a comoção, e torna-se frequente ao lê-lo, sorrir com uma lágrima no canto do olho, marca de uma belíssima escrita e de um conhecimento profundo da alma humana por parte de Anna Gavalda que passa muito do seu tempo “a ver as pessoas viverem” . 


Que adolescente poderá resistir a um livro que começa com:

["Detesto a escola. 
É a coisa que mais odeio no mundo. 
E mais ainda ...
Ela dá cabo da minha vida. ]


O livro, pontuado por tiradas cómicas e desventuras hilariantes de um rapaz de doze anos inadaptado ao sistema escolar, atinge momentos de poesia pura como em: 

[No meu boletim de final do pré-escolar, Marie escreveu: 
"Este rapaz tem a cabeça em forma de coador, dedos de fada e um grande coração. Tem de se conseguir fazer alguma coisa dele."
Foi a primeira e a última vez em que um membro do ensino oficial me tratou com atenção.]

A autora de Enfim, Juntos; Queria Ter Alguém à Minha Espera Num Sítio Qualquer e Eu Amava-a, traz-nos agora a história de Grégoire, um rapazinho que pesa exatamente 35 Quilos de Esperança. 


Embora extremamente inteligente e criativo, Grégoire detesta a escola. Reprova, acumula faltas e expulsões e os pais têm dificuldade em encontrar um estabelecimento de ensino que o aceite. Acresce a todo este drama o casamento deteriorado dos pais de Grégoire que encontram neste insucesso uma desculpa para se agredirem mutuamente. 


Grégoire só é feliz quando faz trabalhos manuais com as suas mãos de fada, atividade onde é excepcionalmente bom. O que mais gosta na vida é de passar horas a fio a conversar e a fazer bricolage com o seu avô Léon com quem estabelece uma relação quase telepática. Mas chega o momento em que Grégoire é obrigado a crescer e a encontrar o seu caminho. 

A metodologia usada nesta sessão foi a de distribuir várias questões pelos membros do Clube para aprofundar o conhecimento da obra e fomentar um debate que passou pela inadequação do sistema de ensino em casos como o de Grégoire, a adolescência, os problemas no seio da família e acabou no amor aos nossos avós e no poder curativo do amor. 

Mais uma vez alunos e professores saíram do Clube de Leitura de coração cheio e enriquecidos por uma leitura que os marcará para sempre e, parafraseando Saramago, deveria ser de leitura obrigatória para todos os adultos. 

Anna Gavalda nasceu em 1970 em Boulogne-Billancourt. Fez o mestrado em Letras Modernas na Sorbonne. Vive na região parisiense. Tem dois filhos e escreve quando eles estão na escola. O resto do seu tempo passa-o a ver as pessoas viverem.

Para além de Enfim, Juntos é autora dos livros Queria Ter Alguém à Minha Espera Num Sítio Qualquer, Grande Prémio RTL ¿ LIRE 2000, Eu Amava-a e 35 Quilos de Esperança.

A sua obra encontra-se traduzida em vários idiomas.


terça-feira, 30 de janeiro de 2024

3.º LIVRO DOS CLUBES DE LEITURA DO 6.º ANO

Decorreram nos dias 31 de janeiro  6.º B – e 2 de fevereiro  6.º G , mais duas sessões relativas ao 3.º livro a explorar nos CLE – Clubes de Leitura na Escola. 


"Uma indiscutível obra-prima." Foi assim que José Saramago descreveu a obra O Homem que Plantava Árvores e por isso este best-seller internacional  foi o terceiro livro escolhido para ser trabalhado nos Clubes de Leitura do 6.º ano.  

Há 40 anos um homem caminhava pelas montanhas dos Alpes, mais exatamente na região da Provença, ao sul do rio Drôme, e depara-se com um cenário desértico, pontuado apenas por alfazemas silvestres. Na verdade a região não era mais do que "um sem-fim de terras despidas e monótonas" a 1000 ou 1200 metros de altitude.

Ao procurar água e embrenhando-se por estas terras desabrigadas perto do céu, o explorador vislumbra uma pequena silhueta negra, de pé como um tronco solitário, que logo descobre ser um pobre pastor.  

Depois da morte da mulher e do filho, Elzéard Bouffier, refugiara-se na solidão, tendo por única companhia um cão e trinta ovelhas. 

Conhecia tão bem como a palma das suas mãos as esparsas aldeias da região. Havia assim apenas quatro ou cinco povoações distantes entre si e espalhadas pelas encostas nos bosques de carvalhos brancos. Eram locais lúgubres onde as fontes haviam secado e viviam pobres aldeões que sobreviviam do negócio duro do carvão e se regiam somente pela ambição cega e pelo desejo obsessivo de escapar àquele lugarejo esquecido de Deus. 


Era uma terra onde vícios e virtudes se digladiavam entre si e uns com os outros, e o vento incessante, rugindo brutalmente sobre as carcaças das casas, semeava a insanidade assassina e os suicídios. 

Ao pernoitar junto deste solitário e silencioso pastor, o viajante, de quem nunca se sabe o nome, assiste ao curioso hábito deste homem de escolher diariamente 100 bolotas perfeitas para plantar no dia seguinte. 

Em breve descobre que este aparentemente insignificante homem de poucas falas, houvera plantado 100.000 bolotas em três anos, das quais 20.000 tinham vingado mas apenas 10.000 iriam crescer. 

Após a 1.ª Guerra Mundial e cerca de cinco anos após este primeiro encontro, o viajante regressa a estas terras para descobrir que Elzéard Bouffier cuidava agora de uma centena de colmeias porque os rebanhos punham em perigo as suas plantações de carvalhos. 

Surpreendemente verifica a existência de uma floresta de carvalhos que se estendia por 11 quilómetros e até um bosquezinho de bétulas com cinco anos e, graças a uma reação natural em cadeia, pequenos riachos "que a memória dos homens sempre recordara secos"!

Em 12 meses  Elzéard Bouffier plantara também mais de 10 000 olmos que infelizmente morreram todos. Passado um ano voltaria a dedicar-se às faias que provariam vingar melhor do que os carvalhos.

E o vento que outrora golpeava as telhas e ensandecia os homens, ajudava agora a espalhar as sementes. E havia salgueiros, juncos, prados, jardins, flores, e pela primeira vez, uma certa razão de viver! 

A descoberta do resultado da obra assombrosa deste "Atleta de Deus", permite-lhe concluir que "Os seres humanos podem ser tão eficazes como Deus, com outra finalidade que não a destruição."

Aquando da 2.º Guerra Mundialjá Elzéard Bouffier se encontrava a 30 km do ponto inicial, a obra deste homem que "descobrira uma maneira fabulosa de ser feliz" corre perigo. Os automóveis moviam-se agora a gasogénio e os carvalhos plantados começaram a ser cortados para queimar. Felizmente como o acesso a tão remoto lugar se tornara dispendioso, os seus robustos carvalhos puderam prosperar. 

O explorador, que decidira visitar este emissário divino todos os anos desde 1920, vem prestar-lhe uma última visita, e em 1945, o velho pastor tinha agora 87 anos, encontra, em vez do vento fustigante que soprava sobre a aridez, uma brisa suave e carregada de odores. 

Pela primeira vez ouvia-se o vento da floresta e o sussuro da água a correr para uma represa. Uma tília, símbolo da ressurreição, indicava que a esperança regressara a Vergons. E havia campos de cevada e centeio, prados verdejantes, bosques repletos de áceres e tapetes de hortelã. E até as antigas nascentes voltaram a jorrar. 

Graças ao milagre produzido por um único homem, as aldeias foram reconstruídas, podendo dizer-se que "10.000 pessoas deviam a sua felicidade a Élzéard Bouffier"

Em 1947 Élzéard Bouffier morre no hospital de Banon. 

O narrador inicia a sua obra dizendo "Para que o carácter de um homem evidencie qualidades verdadeiramente excepcionais, é preciso ter a sorte de o observar de perto durante anos. Caso o seu comportamento se revele despojado de egoísmo, se as ideias que o norteiam manifestarem uma generosidade inesgotável, se for evidente que não busca nenhuma recompensa e que, além do mais, deixou no mundo a sua marca indelével, encontramo-nos, sem sombra de dúvida, diante de uma personalidade única."

Ora, após conhecer a história de Elzéard Bouffier, facilmente se pode constatar que o mesmo preenchia todos estes requisitos e era por conseguinte um homem a todos os títulos excepcional! 

Graças à "mão humana e alma de um único homem", foi possível transformar uma terra ardente, despida e monótona, numa terra de Canaã verdejante onde reinava a serenidade, a beleza e sobretudo a esperança. 

Na segunda parte da atividade os alunos tiveram a oportunidade de assistir ao filme de Fréderick Back com o mesmo nome e que ganhou o Óscar de melhor curta-metragem em 1987.



Mais de vinte mil desenhos feitos à mão em acetato fosco (lápis de cor à base de cera; pastel; tinta), e que demoraram cinco anos a construir, foram precisos para construir esta belíssima animação que surge com a aparência de um sonho. 

Para além desta forte dimensão onírica, o filme destaca-se pelo facto de imagem, voz e movimento agirem como um só elemento. A voice over do narrador - que aqui também funciona como personagem-, não se resume ao papel de legenda do que vamos vendo. Quando aquele mundo cruel e árido se transforma num mundo com mais vida e cor, quando as sementes cuidadosamente plantadas pelo pastor Bouffier formam um oásis, voz, desenhos e movimento transformam-se numa só coisa. 

O mais belo neste filme é a memória caprichosa que reconta com a fluidez do sonho. As imagens transmutam-se, acumulam-se, diluem-se umas nas outras. É o espaço do sonho, mas de um sonho fluído: ovelhas pastando que se transmutam em soldados da Primeira Grande Guerra; uma floresta-gota, transforma-se numa onda e depois num vasto oceano; fumo de explosões que se transforma em cadáveres, destroços e esqueletos de animais. É uma tapeçaria onírica onde um desenho se torna noutro desenho que por sua vez se transmuta noutro desenho, numa sucessão que abranda apenas nos momentos mais violentos para obrigar o espetador a reparar no absurdo dos atos humanos e a refletir sobre eles.  

E a mensagem, a mesma do livro, é a de um jovem que recolhe um ensinamento e pretende transmiti-lo ao público para que ele copie o exemplo do heroico pastor que foi capaz de dar vida a um deserto!

"Baseado no belíssimo conto do francês Jean Giono, de 1953, a animação conta a estória de Elzéard Bouffier, um pastor de ovelhas que durante anos cultivou uma floresta esplendorosa numa área desértica da França. Com as suas próprias mãos e uma generosidade sem limites, desconsiderando o tamanho dos obstáculos, ele faz, do nada, surgir uma floresta inteira – com um ecossistema rico e sustentável. Uma história inesquecível sobre o poder que o ser humano tem de influenciar o mundo à sua volta."